Internet das coisas01/11/2017 às 13h23

Maioria do empresariado quer a regulação de IoT

Henrique Medeiros

Os empresários de tecnologia acreditam que é preciso haver uma regulamentação para a Internet das Coisas (IoT). De acordo com estudo feito pela Gemalto com 1.050 tomadores de decisão em TI do Brasil, dos Estados Unidos, da África do Sul, da Austrália e de outros 9 países, 96% dos executivos na área tecnológica afirmam que os governos devem assumir o papel de protagonistas na regulação do IoT.

Em conversa exclusiva com Mobile Time, Carlos Romero, gerente de marketing e inovação para negócios da Gemalto na América Latina, acredita que a visão do IoT na região está mudando, em grande parte pelo foco em verticais dado através do Plano Nacional de IoT. “O Plano Nacional está mudando a percepção de IoT no Brasil. Vai ajudar o desenvolvimento do setor”, disse Romero.

O estudo revela que 61% dos líderes empresariais apontam a importância da inclusão dos responsáveis pela segurança dos dados em cada etapa da jornada sobre a discussão das regras. Segundo o gerente da fornecedora europeia, cada país deve debater a respeito da necessidade que cada segmento tem, em especial aqueles setores mais críticos como saúde e utilities (gás, eletricidade, saneamento básico etc.).

Segurança

Outro dado da pesquisa aponta que 57% das empresas têm todos os dados criptografados. Entre os motivos para não adicionarem tecnologias robustas de segurança, 44% dos empresários culpam o alto custo de implementação, um cenário que Romero espera mudar em breve.

“O tema de custo é uma economia de escala. Quanto mais empresas conectadas à IoT, menor será o custo. É algo contínuo, você tem que pagar a segurança como se fosse um seguro de carro. Precisa pensar mais como um investimento”, explicou. “Muitas empresas ainda não implementaram proteções, seguranças, mas teremos um deployment nos próximos anos”.

A análise mostra ainda que apenas 33% das companhias afirmam dominar por completo os dados coletados em produtos conectados. Sobre essa resposta dos executivos, o gerente lembrou que muitas das informações recebidas em IoT não são classificadas, e para muitas informações no sistema é necessário fazer uma leitura mais ampla.

“Estamos em uma primeira etapa de como processar as informações. As empresas não têm ideia de o que fazer com todas as informações. E algumas não são importantes, mesmo. É fundamental separar informação desnecessária da estatística”, completou.

Consumidor

A pesquisa da Gemalto também coletou dados com os consumidores. Foram 10,5 mil pessoas ouvidas e, de acordo com a análise, 90% também acreditam na necessidade de regulação em IoT.

Em média, 54% delas possuem pelo menos quatro dispositivos de IoT, embora 14% não tenham total conhecimento da segurança dos devices. Já 65% dos usuários relataram preocupação com hackers controlando seus equipamentos conectados. Em outra resposta sobre o mesmo tema, 60% disseram que se preocupam com vazamento de dados.