Saúde01/12/2017 às 17h24

Empresa brasileira cria máquina de testes laboratoriais expressos

Fernando Paiva

Pelo tamanho e praticidade, a Hilab poderia ser comparada com uma máquina de Nespresso. Mas, em vez de produzir café, a máquina criada pela empresa curitibana High Technologies realiza em poucos minutos testes laboratoriais, entregando os resultados nos smartphones do médico e do paciente. O produto foi lançado oficialmente em junho deste ano e está sendo instalado em postos de saúde, farmácias, consultórios e hospitais para agilizar a realização de exames.

A máquina é acompanhada de cápsulas descartáveis, uma para cada tipo de exame. O material do exame (sangue, urina, saliva ou fezes) é posto na cápsula e esta, por sua vez, inserida na máquina. As reações químicas acontecem dentro da Hilab. Os dados, porém, são enviados por Bluetooth para o smartphone do médico ou farmacêutico e transmitidos para um servidor da Hilab, onde são analisados. Dependendo do teste, os resultados retornam dentro de cinco a 30 minutos na forma de um relatório, que chega pelo app do serviço. A Hilab é capaz de realizar testes diversos, como toxicológicos, de gravidez, dengue, zika, hepatite C, HIV, dentre outros. A precisão e a qualidade são praticamente as mesmas obtidas em testes de laboratório, garante a empresa.

Modelo de negócios

O modelo de negócios é outra inovação da Hilab. Nem a máquina nem as cápsulas são vendidas. Elas são distribuídas de graça. Cerca de 100 estabelecimentos, como consultórios, farmácias, postos de saúde e clínicas já receberam o equipamento em cinco estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pará e Paraná. Até o final do ano serão 250.

A monetização vem pela cobrança por exame. É o estabelecimento quem cobra do paciente e depois repassa uma parte para a Hi Technologies. O preço varia por exame e de acordo com o volume, mas mesmo neste início de operação já está mais barato que aquele cobrado pelos laboratórios.

"40% do custo de um exame de laboratório se concentra na logística: transportar sangue do ponto de coleta para o laboratório central. A gente não tem esse custo porque usamos a Internet. É como se o laboratório tradicional usasse os Correios e a gente mandasse um email", compara Marcus Figueredo, CEO da Hi Technologies. Ele acredita que em breve seus preços serão mais baixos que a tabela paga pelo SUS.

A expectativa da companhia é chegar ao fim de 2018 com 10 mil unidades da máquina distribuídas pelo Brasil e uma média mensal de 500 mil exames realizados.

A High Technologies tem a Positivo entre seus acionistas.

Figueredo participou nesta sexta-feira, 1, do Wired Festival, no Rio de Janeiro.