Pagamentos móveis04/04/2018 às 14h52

Apple Pay conquista 10 mil clientes do Itaú nas primeiras horas de operação no Brasil

Henrique Medeiros

O Itaú começou a operar transações financeiras via carteira eletrônica da Apple, o Apple Pay, nesta quarta-feira, 4. O banco é o primeiro do Brasil a dar acesso à solução para seus correntistas e terá 90 dias de exclusividade, ante o resto do mercado. E, logo nas primeiras horas, mais de 10 mil correntistas aderiram ao Apple Pay. Ao todo, o banco possui 1,2 milhão de clientes aptos a utilizar a solução de pagamentos da Apple. “O brasileiro é rápido em adotar novas tecnologias. Sabemos que a primeira onda será de early adopters (aqueles que usam as soluções mais novas) e que isso vai incentivar outros a utilizar”, afirma Marcelo Kopel, diretor executivo da instituição bancária. Atualmente,  80% das transações do Itaú acontecem em ambiente digital (mobile e internet banking).

“O que está por trás disso (parceria Apple e Itaú) é a busca da jornada digital. Essa experiência de pagamento é tanto para o físico como para o digital. Estamos disponibilizando vídeos para toda a cadeia (comerciantes e clientes) entenderem seu uso. É um grande investimento do Itaú”, disse Kopel.

Inicialmente, os usuários que possuem cartões de crédito do banco – bandeira Mastercard e Visa – e smartphones a partir do iPhone 6 (incluindo iPhone SE) podem aderir ao serviço. Importante frisar que, tanto o sistema operacional do smartphone como o app do Itaú ou Itaú Personalité devem estar atualizados para o Apple Pay funcionar.

O Apple Pay também funciona em computadores Mac fabricados a partir de 2012 e que tenham o sistema operacional Sierra para compras on-line.

Para os usuários que desejam usar seus cartões de débito com Apple Pay, o Itaú afirma que a solução deve estar habilitada até o final de 2018.

Investimentos, outros players e taxas

Kopel preferiu não abrir detalhes sobre o modelo de negócios. O executivo disse apenas que banco e a companhia norte-americana chegaram a um “modelo interessante” e que o correntista do banco não terá que pagar pela solução. Nos outros mercados onde o Apple Pay existe são os bancos emissores que pagam a Apple uma pequena tarifa por cada transação.

Sobre investimentos e adaptações tecnológicas que o banco fez para aderir ao sistema de pagamentos, o diretor executivo do Itaú revela que foram aportados valores em marketing (com os vídeos de treinamento de uso e pagamento) e na parte de segurança. Novamente, não falou em valores.

Em relação a outras carteiras digitais (Samsung Pay e Android Pay) que o Itaú é parceiro, mas ainda não aderiu, ou seja, não colocou em operação, Kopel frisou que a entrada nessas outras ferramentas depende da “demanda dos clientes” e que deve acontecer “ao longo do tempo”, mas não há data fechada.

Incentivo

Durante a conferência com jornalistas, nesta manhã, Kopel lembrou que em alguns casos, os comerciantes parceiros da solução estão “incentivando o uso da solução”. Um dos casos é o Pão de Açúcar, que dará uma ecobag para quem pagar via Apple Pay nas compras acima de R$ 50. Outro exemplo é a cadeia de restaurantes Fifties: os usuários que pagarem com Apple Pay ganham uma sobremesa. As duas promoções são válidas até 4 de julho.

Outros parceiros comerciais no off-line são Evino, Fast Shop, iPlace, Livraria Cultura-Fnac, Taco Bell, Cobasi, Starbucks, Bullguer, General Prime Burguer, Grand Cru, Drogaria Iguatemi, Track & Field e iPlace. No online e apps móveis, Asos (só online), Dafiti, Evino, Fancy, Hotel Urbano, ingresso.com, ingresso rápido, magazine luiza.com, mobly, moObie, Nextel, Peixe Urbano, Petlove, Recarga Pay, Sympla, Zazcar, Zona Azul Digital, iFood e Vá de Táxi.

Parque NFC

Sobre o fator que pode complicar a entrada do Apple Pay no Brasil, a quantidade de máquinas com NFC, o diretor executivo do Itaú frisou que dados recentes da Abecs apontam que 75% do parque de POS tem sensor NFC. No entanto, ele lembra que muitas dessas máquinas ainda não estão com o software atualizado para receber pagamentos via iPhone, iPad ou Apple Watch. Para tanto, o executivo afirmou que os adquirentes devem fazer a atualização, que deve acontecer durante 2018.