Artigo05/07/2017 às 07h02

Como a rede 5G pode solucionar problemas em grandes cidades

Maurício Ruiz, da Intel

O aumento no número de dispositivos conectados à nuvem e entre si vai demandar redes cada vez mais poderosas. Imagine a quantidade de máquinas – na sua casa, trabalho e áreas públicas à sua volta – conectadas à rede de infraestrutura em uma cidade inteligente de grande porte. É justamente neste cenário de aumento exponencial de “coisas” conectadas que entra a necessidade pela tecnologia 5G. 

O 5G vai transformar a maneira que vivemos. Fornecerá a próxima geração de experiências, incluindo carros autônomos, cidades inteligentes, a Internet das Coisas e, é claro, a era das máquinas conectadas. 

A evolução das redes e da conectividade sem fio na era do 5G vai ajudar a resolver inúmeros desafios presentes na gestão pública. Por exemplo, combinar alta conectividade com Inteligência Artificial ajudará a otimizar semáforos e, com isso, melhorará o fluxo de carros e as rotas do transporte público para evitar o congestionamento. Também limitará o tráfego em áreas congestionadas, como já podemos ver em alguns lugares da Europa. 

O 5G proporcionará aos carros uma vantagem para enviar e receber informações praticamente em tempo real. Permitirá uma comunicação rápida entre veículos, rede e as "coisas" ao seu redor, o que tornará possível detectar o que está acontecendo na próxima esquina ou quilômetros à frente na estrada. Ele terá capacidade suficiente para lidar com a enorme quantidade de dados que os veículos conectados usarão diariamente. 

Os carros já estão sendo conectados em um ritmo muito rápido para proteger, monitorar, alertar e entreter os passageiros. Contudo, essa conectividade torna-se essencial especialmente em grandes cidades como São Paulo, com a tendência de crescimento do número de veículo autônomos. As redes 4G de hoje não foram projetadas para suportarem o tráfego de dados gerado por veículos autônomos. Nenhuma tecnologia atual de comunicação pode lidar com uma transferência dessa magnitude. Estamos falando de 4 terabytes de dados gerados por cada carro, a cada 90 minutos, que precisarão ser processados, analisados e transformados em informação.   

Calcula-se que somente as câmeras desses veículos gerem de 20 a 40 MB por segundo. O 5G pode oferecer a velocidade, eficiência e largura de banda necessárias para a transferência rápida de grandes volumes de dados. Quando o 5G estiver funcionando, esperamos que muitos desses dados estejam disponíveis através de dispositivos de ponta, como estações base de celular.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030 seis em cada 10 pessoas viverão em centros urbanos. Daí a importância de iniciativas como as de cidades inteligentes e carros autônomos que visam melhorar os recursos, seus custos e sua eficiência. A rede 5G impulsionará a adoção de novas tecnologias e as tonará ainda mais populares – serão cada vez mais comuns, por exemplo, imóveis com sensores capazes de controlar a temperatura, a umidade e a iluminação de acordo com as atividades em curso. Isso permitirá que a administração de prédios comerciais e residenciais ofereçam uma melhor gestão dos espaços comuns ao mesmo tempo em que adotam práticas mais sustentáveis. 

Governos, com o objetivo de elevar os níveis de sustentabilidade, vão impulsionar a adoção de tecnologias de construção inteligente. A redução do impacto ambiental de uma determinada propriedade exige uma supervisão rigorosa, incluindo, por exemplo, informações sobre o uso de energia e de água no prédio. Sensores e recursos analíticos na rede proverão esses dados para que os administradores possam controlar melhor seus ativos e reduzir o desperdício de energia que, em última instância, pode ser prejudicial ao ambiente. 

E os recursos da 5G também têm muito potencial para melhorar a digitalização dos governos, não apenas para prestar serviços melhores à população, mas também para dialogar, construir, conectar, criar em conjunto, informar de maneira direcional e, em muitos casos, multidirecional uma sociedade cada vez mais conectada.  

A revolução 5G não é apenas uma evolução tecnológica. Ela transformará indústrias, lançará novas categorias e fará surgir novos modelos de negócios. Para isso acontecer, precisamos acelerar a discussão de como implementar o 5G no Brasil – em especial no que tange à definição das frequências onde a tecnologia vai operar – para poder aproveitar ao máximo toda a potência da rede. 

Muita coisa ainda vai acontecer até 2020, mas é preciso promover um grande debate público sobre o tema e buscar alternativas que sejam eficientes, sustentáveis e de rápida execução para que os benefícios para a população se materializem de forma plena.

Maurício Ruiz é diretor geral da Intel no Brasil