Artigo05/10/2016 às 07h37

A inovação tecnológica de cada Olimpíada

Ernesto Haikewitsch, da Gemalto

Os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro foram espetaculares, proporcionando momentos de inspiração, demonstrações técnicas de cair o queixo, força e velocidades explosivas. Estrangeiros como Usain Bolt e Michael Phelps se superaram. O Brasil teve seu melhor desempenho em toda a história olímpica: Robson Conceição ganhou seu primeiro ouro do boxe e a dupla Martine Grael e Kahena Kunze foram campeãs olímpicas na vela. O judô se consolidou com o título de Rafaela Silva. Por trás de cada medalha, uma impressionante história de superação.

Mas os atletas não foram as únicas estrelas dos jogos deste ano. As Olimpíadas proporcionaram o teste perfeito para as mais recentes tecnologias provarem o seu sucesso. A RioCard, operadora de emissão de bilhete de transportes do Rio de Janeiro, lançou um piloto da pulseira de pagamento sem contato para os visitantes dos Jogos. Este dispositivo wearable, quando massivamente implantado, será uma ferramenta incrível e ajudará os cidadãos a se locomoverem facilmente na cidade maravilhosa.

Mas os projetos tecnológicos não terminaram por aí, a Visa ofereceu um revolucionário anel de pagamento sem contato aos atletas. Um chip seguro e uma antena são incorporados dentro de uma argola de cerâmica, que permitiu aos esportistas comprar alimentos na vila dos atletas e em outros locais próximos. O acessório foi recebido com entusiasmo pelos competidores pois, com a constante troca de kits de treinamento, eles se tornam vulneráveis e acabam perdendo suas carteiras. O anel podia ficar no dedo do atleta o tempo inteiro, permitindo que os competidores se concentrassem no que realmente importava: a conquista do ouro!

Esses testes já estão concluídos, mas precisamos lembrar da sua importância. Os jogos de Londres 2012 foram saudados como a primeira grande competição sem contato, e o compromisso com a tecnologia deu efetivamente o pontapé inicial para uma revolução na Grã-Bretanha. Agora, a tecnologia sem contato está se tornando o método principal de escolha para o transporte e os pagamentos, e há grande esperança no impacto dos Jogos Olímpicos no Rio sobre a tecnologia wearable.

Os esportes são realmente a área ideal para os wearables. A Internet das Coisas está sendo muito bem aplicada no boxe, rugby, tênis e futebol americano por meio de sensores wearables. Os progressos desta tecnologia também estão começando a causar um efeito profundo sobre a experiência dos torcedores.

O clube inglês de rugby Saracens permite que os seus fãs utilizem uma pulseira de pagamento sem contato com sua marca  para ir e voltar dos jogos, além de pagamento de produtos do clube. No campeonato de futebol europeu deste ano, a cidade-sede de Lille também ofereceu aos torcedores pulseiras com tecnologia sem contato para o pagamento de transporte pela cidade. Essas pulseiras continuam a funcionar nos ônibus, trens e metrô, apesar do torneio ter terminado há algum tempo.

A revolução wearable continuará e, em Tóquio 2020, há esperanças de que ela estará ainda mais avançada. Os planos indicam que será possível chegar aos jogos em um carro sem motorista e entrar nas arenas com um dispositivo wearable de acesso. O reconhecimento facial poderá verificar os portadores de bilhetes e os apps poderão guiá-los para os seus assentos em seu próprio idioma. Os visitantes poderão até mesmo realizar compras com sua impressão digital.

É importante ressaltar que, na última vez que o Japão sediou os Jogos Olímpicos em 1964, eles lançaram o mundialmente famoso trem-bala de forma a coincidir com a abertura. Esse investimento em infraestrutura de transporte ajudou a impulsionar a economia do país e permitiu que o Japão se tornasse um líder global no setor de transporte ferroviário de alta velocidade.

Com carros sem condutor, a Internet das Coisas, a biometria e os dispositivos wearables controlando os meios de pagamento em Tóquio, os Jogos de 2020 também deixarão um legado da inovação tecnológica.

Ernesto Haikewitsch é diretor de marketing e comunicação para América Latina da Gemalto