Big data06/05/2017 às 07h26

Teles precisam se estruturar para aproveitar melhor seus dados

Fernando Paiva

Durante as décadas de 90 e 00, empresas do mundo inteiro e das mais variadas verticais começaram a armazenar dados de suas operações de forma digitalizada. Agora, chegou o momento de encontrar o que fazer com essa montanha de informações, através de ferramentas de análise e interpretação de dados, tanto para otimizar suas próprias operações quanto para, eventualmente, monetizar com a oferta deles para terceiros. As verticais de finanças, telecomunicações, seguros e saúde são aquelas com maior potencial para aproveitar o big data, em razão da quantidade e da relevância das informações que possuem, opina Oscar Porto, líder de data science da Accenture Digital.

“Não sei se os bancos vão querer (ou se poderão) gerar receita com seus dados, mas são um setor que sabe monetizar e que tem informações valiosas. As empresas de seguro acho que vão comprar mais do que vender dados. E tem o setor de saúde, que está desesperado para saber o que fazer com as suas informações. Imagine um hospital com dados de milhões de pacientes ao longo dos últimos trinta ou quarenta anos: isso tem um valor enorme se aplicado na medicina”, comenta Porto.

No caso específico das teles, o executivo entende que elas estão demorando a se movimentar e correm o risco de perder oportunidades de negócios em big data para players over the top. Um exemplo é na área de planejamento de transporte público. As teles conseguiriam medir com facilidade o deslocamento da população de uma cidade sobre o seu mapa ao longo do dia, o que é uma informação valiosíssima para empresas de transporte público e órgãos de planejamento urbano. Enquanto não fazem isso, aparecem apps que constroem uma significativa base de usuários e passam a explorar seus dados como um produto – é o caso do israelense Moovit, que montou uma plataforma de big data e analytics de transporte público para o uso por empresas e prefeituras.

Centro de Inovação em Análise de Dados

Para ajudar as corporações a surfarem na onda do big data, a Accenture vem montando centros de inovação de analytics ao redor do mundo. Já são seis, incluindo um no Rio de Janeiro, inaugurado este ano. Nele trabalham 80 pessoas, mesclando diversas “tribos” de análise de dados da Accenture, como aqueles que analisam dados operacionais; aqueles que tratam de dados de marketing e de experiência do consumidor; dados da cadeia de suprimentos; dados para análise de risco etc. A proposta do centro é realmente misturar essas diferentes turmas para pensarem conjuntamente em soluções para os clientes da Accenture.

Porto entende que antes de mais nada as empresas precisam se estruturar internamente para aproveitar os dados coletados nas suas diferentes áreas, otimizando sua operação. Eventualmente, isso pode demandar a criação de um novo posto executivo de CDO (Chief Data Officer) ou CAO (Chief Analytics Officer). No Brasil, o Itaú já tem um. Também é preciso investir na formação ou contratação de cientistas de dados. Depois que cada empresa já estiver tirando o máximo de proveito dos seus dados para fins internos, chegará a vez de pensar na monetização para terceiros, respeitando, obviamente, as leis nacionais e a privacidade de seus usuários.

Entre os projetos que a Accenture vem fazendo atualmente no Brasil na área de análise de dados, Porto destaca dois, sem, contudo, citar os nomes dos clientes, por restrições contratuais. O primeiro é de uma grande emissora de TV que deseja otimizar a filmagem das cenas de suas novelas, diminuindo o número de deslocamento dos atores. Outro caso é de uma empresa de telecomunicações para a qual a Accenture desenvolveu um sistema para prever a demanda de serviços de campo no país inteiro, possibilitando o dimensionamento de forma otimizada das equipes em cada região.