Mobilidade urbana06/09/2017 às 15h16

Vamu aposta em grupos e caronas gratuitas no Rio de Janeiro

Henrique Medeiros

O Vamu (Android, iOS) é uma rede social de mobilidade urbana para o compartilhamento espontâneo de caronas por meio de motoristas e carros particulares, sem custos tanto para o passageiro, como para o condutor. A ideia do app surgiu quatro anos atrás, quando seu criador, Armando Machado, dividida o carro com seu cunhado que estudava na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense.

“Sempre me incomodei de andar com carro vazio. Daí eu comecei a levar meu cunhado de carona. Ele mora na Barra e eu também. Todo dia de manhã nos íamos para locais parecidos. Ao mesmo tempo, todo dia de manhã olhava para carros vazios no trânsito”, recorda o empreendedor.

Diferentemente dos modelos apresentados recentemente por Moovit e Waze, o app carioca aposta inicialmente em grupos particulares e corporativos com usuários conhecidos (parentes, amigos, vizinhos, condôminos, colegas de trabalho e de estudo) para crescer.

Machado explica que outro diferencial de seu aplicativo é o fato de discutir o uso do carro no transporte urbano. Para isso, ele colocou a calculadora Desconsumetro no site do Vamu, que mostra a vantagem de dividir o carro, seja no dióxido de carbono não emitido (em quilos), ou no gasto financeiro do combustível em reais, litros e a economia direta (total em R$) no bolso do motorista.

Como funciona

No cadastro no app, o usuário informa nome, endereço, vagas para passageiros dentro do carro e o modelo do veículo. Em seguida, a pessoa cria grupo (ou grupos) para dar caronas a outras pessoas. Quando for fazer uma corrida, abre o app e coloca ponto A e B, e o Google Maps oferece rotas.

As caronas podem ser pedidas antes e durante uma corrida. Contudo, carona é restrita aos membros do grupo. Vale frisar que todo usuário deve ter carro e que deve realizar pelo menos quatro viagens como motorista para ter direito a 12 caronas. Esta exigência é para evitar que fiquem apenas no banco do passageiro.

Para o futuro do app, a ideia é que o Vamu tenha o Desconsumetro no aplicativo, melhore sua interface, tenha mais estímulo aos grupos e use ferramentas de comunicação, como Facebook Messenger, Telegram e WhatsApp, para facilitar a conversa e adição de novos usuários aos grupos.

Negócios e parceiras

Liberado para uso em qualquer lugar do planeta, a base de operações do aplicativo funciona no Rio de Janeiro. Questionado como é o modelo de negócios, uma vez que o app é gratuito para seus usuários, o desenvolvedor explica que busca o apoio de patrocínio de empresas e conta com ações que podem contribuir para relatórios socioambientais de companhias com sociedade anônima (S/A).

O executivo ressalta que seu app recebeu apoio técnico do Inmetro para demonstrar os diferenciais de redução de dióxido de carbono. Embora reconheça que a base de usuários ainda é pequena – apenas algumas dezenas usam o app hoje –, o Vamu tem parceria com uma universidade carioca que possui 2 mil alunos na Zona Norte do Rio e com uma grande empresa, mas não pode revelar seus nomes.

“Estamos focando em universidade, associação de moradores, empresas, com foco no crescimento na base de usuários. É um trabalho de conscientização”, disse. “Sabemos que tem muito potencial de negócio para ser trabalhado. Mas queremos que as pessoas entendam a segurança antes”.