Segurança pública06/12/2017 às 11h15

Big data do crime: app colaborativo identifica os locais mais perigosos do Rio de Janeiro

Isabel Butcher

O projeto Onde Tem Tiroteio nasceu modestamente na página pessoal do Facebook de seu criador, o petroleiro Benito Quintanilha, no dia 1º de janeiro de 2016. A ideia tinha surgido poucos dias antes do Natal de 2015 ao ler mais uma matéria de uma pessoa morta vítima de uma “bala perdida”. No início, ele avisava aos amigos da página onde tinha tiroteio e, em muitos casos, amigos moradores de áreas próximas de conflitos relatavam o ocorrido e Quintanilha repassava a informação em sua página.


Em menos de um mês Quintanilha precisou de ajuda extra para dar conta do projeto. Chegou, então, Marcos Vinícius Baptista, professor de Física de várias escolas da cidade e já usuário das dicas do amigo. Só no boca a boca, os dois chegaram a 1 mil curtidas em pouco tempo.

Hoje, o OTT está no Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp, Telegram, Zello além do site e do aplicativo (Android, iOS), o mais novo membro da família que chegou em julho deste ano. Juntas, as plataformas alcançam 4,5 milhões de pessoas, considerando, inclusive, os compartilhamentos. Detalhe: só a população da cidade do Rio de Janeiro é de 6 milhões de habitantes. Se somadas as plataformas, são cerca de cerca de 650 mil pessoas.

O aplicativo é bem simples. Simples até demais, segundo o próprio sócio Dennis Colis, o terceiro a entrar no projeto. Por isso, ainda neste mês, os sócios lançarão uma nova versão, com novo visual e com uma funcionalidade de localização, que informará o usuário imediatamente caso esteja em uma área próxima a um tiroteio ou arrastão.

Como funciona

Aproximadamente 1 mil pessoas fazem parte do chamado círculo de confiança. Essas pessoas, muitas delas moradoras de comunidades, motoristas de táxi e de Uber, informam ao OTT onde acontece um tiroteio ou um arrastão. Elas podem também confirmar a informação de uma pessoa de fora desse círculo. “Dependemos muito da população”, explica Colis, responsável pela programação do aplicativo, formado em Tecnologia da Informação. “Só enviamos o alerta quando há a confirmação do ocorrido”, explica o sócio.

Não é para menos: o Onde Tem Tiroteio recebe entre 80 a 90 informações por dia. No entanto, apenas de 14 a 25 são confirmadas.

Informações

Com a massa de informações recebidas, os sócios são capazes de mapear a violência na cidade e apontar horários críticos e lugares problemáticos. Para se ter uma ideia, de acordo com as estatísticas do OTT, há uma chance de 65% de ter um arrastão na Linha Vermelha, em pleno domingo, entre 11h e 16h. Já no Trevo das Margaridas, de retorno da Avenida Brasil e entrada para a Rodovia Presidente Dutra, em Guadalupe, a chance de ter um arrastão, entre 16h e 18h é de 33%.

“Hoje em dia, delegacias nos procuram para ajudá-los nos autos de inquéritos, por exemplo. Há uma procura por parte dos governos e estamos abertos. Sabemos os piores horários para se estar num determinado lugar e os locais mais críticos. Isso, nas mãos certas, pode ser muito bom para a população desses lugares. O policiamento, por exemplo, poderia aumentar nesses lugares”, explica Colis.


O OTT tem rankings diário, semanal, mensal e anual dos piores lugares para se estar por conta de tiroteios ou arrastões. Confira a lista atual, do ranking anual:

Piores locais - tiroteio Piores locais - arrastões
1- Complexo do Alemão 1- Linha Vermelha
2- Cidade de deus 2- Guadalupe
3- Caxias 3- Honório Gurgel
4- Complexo da Maré 4- Washington Luís