Mensageria07/03/2018 às 12h19

App de mensagens Wafer terá monetização através de marketplace

Fernando Paiva

O mercado de mensageria móvel já está dominado por grandes players como WhatsApp, Messenger, WeChat e Line, sem espaço para novos entrantes, certo? Não é o que pensam os criadores do Wafer (Android, iOS), um novo app de mensagens lançado em setembro do ano passado. Em menos de um ano ele supera 150 mil usuários ativos mensais (MAUs, na sigla em inglês) e tem como seus principais mercados Brasil, Índia e Paquistão. A sede do Wafer fica em Luxemburgo.

Mobile Time conversou com seu COO, Rob Llanes. Para se diferenciar dos concorrentes e conquistar espaço no mercado, ele explicou que o Wafer aposta em quatro características: 1) abertura; 2) respeito à privacidade dos usuários; 3) VoiP de alta qualidade, com um sistema próprio de compressão; 4) flexibilidade para a geração de conteúdo em múltiplas camadas multimídia.

A abertura consiste no fato de o Wafer estar conectado a vários aplicativos de mensagens, como o próprio WhatsApp, permitindo a comunicação de seus usuários com aqueles de outros mensageiros: basta ter o número telefônico móvel da pessoa a ser contactada. Se esta não tiver o Wafer, recebe um link para acessar a conversa via um navegador que simula a interface do Wafer. "Entendemos que os outros players estão tentando criar 'jardins cercados' (walled gardens), pois você precisa estar dentro das plataformas deles para fazer qualquer coisa. Nós queremos ser uma plataforma aberta", compara Llanes.

Outro ponto crucial é o respeito à privacidade das conversas que acontecem dentro do Wafer. As mensagens são criptografadas e a empresa não revende nenhuma informação sobre seus usuários para terceiros. "Aplicativos de mensagens costumam 'minerar' os dados das conversas,  na tentativa de identificar perfis de consumidores. Não acreditamos que isso seja certo. Uma conversa pertence aos seus participantes, não ao meio. Não vamos vender dados", garante o COO.

A composição das mensagens no Wafer se diferencia pelo fato de permitir a sobreposição de até seis mídias (áudio, vídeo, foto, texto, desenhos e stickers). É o que seus criadores chamam de "criatividade infinita".

A monetização do Wafer virá em uma segunda fase da operação e se dará por meio da abertura de um marketplace próprio dentro do mensageiro. Essa nova fase virá depois de uma rodada de investimento série B. O foco atual está totalmente na expansão da base de usuários.

Brasil

Inicialmente não estava nos planos do Wafer lançar uma versão em português para o Brasil. Seu foco estava nos mercados de língua inglesa, como Índia e Paquistão. Mas a quantidade de downloads espontâneos no País ainda na fase de testes chamou a atenção e fez com que mudassem de ideia. "Vimos que o app estava crescendo rapidamente  no Brasil enquanto apenas testávamos. Seria uma estupidez deixar o Brasil de lado", comenta. E assim a empresa lançou em fevereiro, pouco antes do Carnaval, a versão do Wafer em português, junto com uma série de stickers carnavalescos.

Por enquanto a empresa não tem presença local no Brasil, mas vai buscar parceiros aqui para ajudá-la a planejar a fase de monetização, informa o executivo.