Transporte individual07/03/2018 às 18h47

Estudo analisa modelo de negócios da Uber

Da Redação

Um estudo do Centre for Future Work, do Instituto Austrália, revela que a Uber depende das baixas rendas de seus motoristas parceiros para escalar seu valor de mercado. A análise partiu do modelo de negócios da empresa norte-americana.

Quem revela o estudo é o jornal inglês The Guardian, nesta quarta, 7. De acordo com a pesquisa, as tarifas da UberX são possíveis porque a empresa do aplicativo paga pouco aos motoristas parceiros, bem abaixo do salário mínimo da Austrália quando os custos ocultos (como manutenção do veículo) são levados em consideração.

De acordo com a pesquisa, os australianos ganham, em média, US$ 14,62 por hora dirigindo como UberX. Nas cidades de Sydney e Canberra, esse valor sobe para US$ 18, mas cai para menos de US$ 11 para quem trabalha como motorista em Perth. Esses valores estão abaixo do salário mínimo legal naquele país, que é de US$ 18,29 por hora, e bem abaixo do salário dos trabalhadores do setor, que é de US$ 30.

O estudo

A análise foi realizada tendo como base tarifas típicas em seis cidades e deduzindo impostos e custos do veículo. No fim, o relatório conclui que os motoristas ficam com apenas um terço das receitas.

O autor do relatório, o economista Jim Stanford, diz que o modelo de negócios da Uber entraria em colapso sem o trabalho mal remunerado de seus motoristas parceiros. Segundo ele, os baixos rendimentos são essenciais para a escalada de valor de mercado da Uber e que isso permitiu que algumas pessoas ficassem “fabulosamente ricas”.

Em todos os casos polêmicos sobre o mal pagamento de seus motoristas, a Uber alega que eles gostam da flexibilidade que o trabalho permite. Mas, segundo Stanford, o dinheiro é tão pouco que somente em lugares onde as pessoas estão desesperadas que esse modelo de negócios pode funcionar.

Quiproquó

Mas não é só na Austrália que a Uber é analisada. Na última sexta, 2, os responsáveis por um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Política Energética e Ambiental do Massachusetts Institute of Technology (MIT) levaram um puxão de orelha do chefe executivo da Uber Dara Khosrowshahi. O executivo criticou, pelo Twitter, a metodologia do estudo que afirmava que cerca de três quartos dos motoristas da Uber e da Lyft eram mal pagos e recebiam menos que o salário mínimo. De acordo com o estudo, o lucro médio antes das taxas dos motoristas é de US$ 3,37 por hora. A pesquisa foi realizada com mais de 1.100 motoristas da Uber e da Lyft.

Khosrowshahi escreveu: “MIT= Mathematically Incompetent Theories (pelo menos no que diz respeito a viagens compartilhadas). O relatório @techreview difere marcadamente de outros estudos acadêmicos e da pesquisa recente @TheRideshareGuy”. Em seguida, inseriu um link que levava o leitor à resposta de Jonathan Hall, economista da Uber. No texto, Hall afirma que houve uma interpretação errada de uma das perguntas do estudo e a “lógica inconsistente” da pesquisa produziu um resultado que estava abaixo de estudos similares já realizados por outras instituições. O economista afirmou que o paper usou uma “metodologia defeituosa” comparada com outra pesquisa realizada, na qual afirmava que os ganhos de horas médias dos motoristas eram de US$ 15,68.

Dois dias depois, o MIT anunciou que irá revisar os cálculos feitos para o estudo.