CES 201808/01/2018 às 16h32

CES é aberta com destaque para inteligência artificial

Samuel Possebon, do Teletime

A principal feira de lançamentos de gadgets e produtos tecnológicos do mundo, a CES 2018, começou nesta segunda, 8, em Las Vegas, vivendo o mesmo dilema de toda a indústria de tecnologia: a migração da era da conectividade digital para a era dos dados. Inteligência artificial e data analytics são os temas que dominam boa parte das palestras, conferências de imprensa e que certamente serão vistos no pavilhão de exposição de produtos (cuja abertura acontece na terça, 9). Se há alguns anos o evento colocava em destaque os dispositivos e sensores conectados, agora os debates passam a ser sobre os serviços e o que as informações coletadas podem oferecer.

Trata-se de um evento essencialmente de hardware, focado na venda de aparelhos de consumo. Mas a mudança para o ambiente do software e dos conteúdos é clara. E um exemplo é que a Consumer Technology Association (CTA), organizadora do evento, passou a incluir em sua pesquisa semestral sobre produtos de tecnologia de consumo os números dos serviços de streaming de áudio e vídeo, por exemplo.

Segundo Steve Koening, diretor de pesquisa da CTA, há três conjuntos de tecnologias que aparecem este ano em destaque na CES e que merecem um acompanhamento mais de perto, por representarem as principais tendências tecnológicas. No campo das tecnologias habilitadoras, ele destaca o desenvolvimento da próxima geração de redes móveis (5G), o campo da Inteligência Artificial e a robótica.

Das tecnologias já no mercado que estão apresentando um desenvolvimento notável e que merecem atenção estão as tecnologias de sensores e interfaces de relacionamento. Esse exemplo é bem ilustrado pelo expressivo desenvolvimento, pelo menos nos EUA, do mercado de hardwares interligados a assistentes pessoais, como Alexia e Google Assistant (as duas principais estrelas da CES 2018).

Entre os temas novos ou de futuro que a CES 2018 dará atenção especial estão o mercado de smartcities, inovações tecnológicas ligadas ao esporte (desde as tecnologias de treinamento, condicionamento físico até tecnologias de transmissão de eventos em realidade virtual). Outro item que a CTA considera promissor é o mercado de terapias digitais, ou seja, uso de tecnologias não apenas para diagnósticos e monitoramento de condições de saúde, mas também de tratamento.

Mercado em expansão

O conjunto de tecnologias de consumo monitoradas pela CTA registrou, nos EUA, um valor recorde de US$ 351 bilhões em 2017, um aumento de 3,9%. Mas parte disso se deve ao fato de que as tecnologias de streaming passaram a ser computadas. De qualquer maneira, seguem os principais números compilados pelo estudo de acompanhamento do mercado da Consumer Technologies Association. Todos os dados referem-se apenas aos EUA, já que a associação parou de fazer o acompanhamento global de todos os itens desde o ano passado:

* O mercado de smartspeakers (Amazon Echo e Google Home, por exemplo) chegou em 2017 a 27 milhões de unidades e deve gerar este ano US$ 3,8 bilhões em receitas (aumento de 93%) com 43,6 milhões de unidades vendidas. Segundo Steve Koening, este é o mercado que mais deve crescer nos próximos nos. Ele compara o ritmo de crescimento ao que se viu nos mercados de DVDs e tablets quando foram lançados. Até 2021 serão vendidos mais de 200 milhões de smartspeakers nos EUA, sobretudo por conta da crescente integração dos assistentes pessoais (Alexa, Google Assistant, Siri, Cortana, etc.) a outros dispositivos.

* Dispositivos para casas conectadas somaram 40,8 milhões de unidades e geraram US$ 4,5 bilhões em receitas em 2017 (aumento de 34%)

* Dispositivos de realidade virtual devem vender cerca de 4,9 milhões de unidades este ano e gerar uma receita nos EUA de US$ 1,2 bilhão.

* O mercado de drones deve gerar mais de 3,7 milhões de vendas nos EUA este ano e receitas de US$ 1,2 bilhão, sendo que a maior parte das vendas será de drones pequenos, de menos de 250 gramas (2,2 milhões de unidades em vendas previstas para 2018).

As tecnologias já consolidadas seguem crescendo também:

* O mercado de smartphones nos EUA vendeu 189 milhões de unidades e receita de US$ 62,9 bilhões.

* Wearables: apesar do termo desgastado, as vendas seguem altas, com 49,3 milhões de unidades sendo vendidas este ano, segundo a CTA, e US$ 6,4 bilhões em receitas.

* O mercado de tablets deve sofrer um revés este ano, com queda na venda de aparelhos. Serão 45,6 milhões de unidades este ano, o que representa uma queda de 12% em relação a 2017.