Logística09/02/2017 às 13h24

CargoX prevê crescimento médio mensal de 25% em 2017 no Brasil

Fernando Paiva

A CargoX (Android, iOS) funciona como uma espécie de Uber dos caminhões, conectando empresas e caminhoneiros autônomos para a realização de transportes de cargas no Brasil. Atualmente conta com 150 mil motoristas cadastrados e transporta, em média, 3,5 mil cargas por mês, que somam pelo menos seis toneladas. Em 2016, registrou R$ 48 milhões em receita, e um crescimento médio mensal de 43%. Para 2017, prevê um crescimento médio mensal de 25%, diz Federico Vega, um dos fundadores e CEO da CargoX, em entrevista para Mobile Time.

Para garantir esse crescimento, empresa planeja uma série de novidades em seu app para fidelizar os caminhoneiros. Hoje, o app mostra em um mapa pontos de interesse para os motoristas, como os melhores e mais seguros locais para passar a noite, tomar uma ducha, almoçar, abastecer etc. Entre as novidades que serão acrescentadas este ano estão um botão de pânico, para que um motorista alerte outros em caso de emergência, e uma parceria com postos de gasolina para a oferta de combustível com desconto para os caminhoneiros do CargoX, revela Vega.

Modelo de negócios

O Brasil é hoje o terceiro maior mercado do mundo em transporte rodoviário de cargas, atrás apenas dos EUA e da China. Há 935 mil caminhoneiros autônomos no País. É muito comum realizarem uma entrega interestadual e voltarem vazios, por falta de pedidos para a viagem de volta. Segundo Vega, os caminhões no Brasil rodam vazios 40% do tempo. A proposta da CargoX é conectar as empresas que precisam enviar cargas e os caminhoneiros cadastrados, otimizando viagens, o que reduz custos para os dois lados. Em troca, fica com um percentual do valor da viagem, que varia de acordo com a relação de oferta e demanda – uma tarifa dinâmica, como faz o Uber. O executivo afirma que a CargoX consegue reduzir em 30% o custo com transporte de cargas.

Vale destacar que a CargoX se responsabiliza por todo o processo. Contratantes e caminhoneiros não precisam negociar e nem conversar entre si, apenas com a CargoX, que recebe e distribui os pedidos para a sua base de motoristas cadastrados, de acordo com a localização, disponibilidade e tipo de caminhão. "Nossos concorrentes apenas fornecem um site web para os dois lados. É como se fossem um Tinder. Botam duas pessoas juntas e o resto acontece lá fora. A gente não apenas conecta os dois lados, mas tomamos conta de todo o processo. É muita responsabilidade", descreve. A CargoX garante o pagamento do caminhoneiro mesmo que o contratante não pague. E assume toda a burocracia do transporte, inclusive a vistoria periódica dos caminhões.

Por enquanto não há planos de expansão internacional, porque a CargoX entende que ainda há muito o que crescer no Brasil. Paralelamente à receita com o transporte de cargas, a empresa está reunindo dados sobre as condições das estradas brasileiras que poderão ser uma nova fonte de monetização no futuro, especialmente para a elaboração de mapas de alta resolução, que um dia serão necessários para veículos autônomos.