Serviços financeiros09/06/2017 às 14h25

Conta.MOBI quer conquistar 1 milhão de usuários em três anos

Fernando Paiva

A conta.MOBI (Android, iOS), serviço de conta digital voltado para microempreendedores, tem hoje 20 mil usuários, número que vem crescendo 30% ao mês. A empresa, que já passou por quatro rodadas de investimento, negocia agora a entrada de um sócio estratégico, que vai ajudá-la a ganhar escala. Seu plano é conquistar 1 milhão de usuários dentro de três anos, revela Ricardo Capucio, CEO e fundador da start-up. Isso representará 10% do mercado brasileiro de microempreendedores, pois a projeção é que esse segmento seja composto por 10 milhões de pessoas em 2020 (hoje é estimado em 7 milhões).

“Nosso foco a partir do segundo semestre é intensificar o crescimento. A conta.MOBI é um negócio de volume. A margem é pequena. Nós ganhamos com escala”, explica o executivo. "A empresa está bem capitalizada, mas estamos entrando em uma nova fase, que é a massificação da solução. E aí precisamos de uma estrutura mais robusta. Está previsto que a gente estude parcerias estratégicas para eventualmente termos uma centralizadora das operações. Não vamos vender a conta.MOBI, mas teremos um um acordo operacional com uma empresa de grande porte que permita um ganho maior de escala. Tudo nesse mercado é preço. Se a gente tiver parceiro estratégico conseguiremos ter margem maior e reduziremos ainda mais os preços para os nossos usuários”, esclarece.

Como funciona?

Basicamente, a conta.MOBI funciona como uma carteira digital para microeempreendedores, mas com uma série de serviços atrelados a ela. O processo de abertura é 100% digital. Para quem movimenta até R$ 5 mil por mês, basta informar alguns dados básicos: nome, CNPJ, endereço, CPF, email e telefone. O dinheiro é gerenciado através de um aplicativo pelo celular. O cliente pode emitir boletos e fazer transferências bancárias a preços mais baixos que aqueles cobrados por um banco tradicional. O serviço inclui uma máquina de POS e um cartão de débito da Visa para poder movimentar a sua conta. Além disso, é oferecida assessoria contábil de graça e sistemas de gestão de contas e de boletos, tudo através do aplicativo.

A empresa oferece três pacotes diferentes. O primeiro, chamado “econômico”, não tem cobrança de mensalidade. Em vez disso, o cliente paga pelo que usar: R$ 3,99 por boleto compensado; R$ 7,99 por transferência (DOC ou TED) e R$ 7,99 por saque em caixa eletrônico. É ideal para quem faz poucas transações por mês. O segundo plano, chamado “básico”, cobra mensalidade de R$ 3,90 e oferece tarifas reduzidas para boleto compensado (R$ 2,99) e para cada transferência (R$ 6,99). O terceiro plano, chamado “profissional”, custa R$ 9,99 por mês e cobra R$ 2,49 por boleto compensado e R$ 5,99 por transferência. Os preços são mais baratos que aqueles cobrados pelos bancos porque a estrutura da conta.MOBI é mais enxuta, justifica Capucio. "A estrutura de um banco tradicional é muito maior que a nossa. A gente otimizou os nossos processos com base intensiva em tecnologia. Consumimos somente os recursos que precisamos, em um modelo de negócios 100% digital”, descreve.

Capucio explica que uma das vantagens da conta.MOBI é servir como uma espécie de “one stop shop” para os microempreendedores. Em um só lugar ele encontra tudo o que precisa para o seu negócio, poupando tempo para se dedicar às vendas. Dos 20 mil microempreendedores que usam a conta.MOBI, 70% estão no plano econômico, informa. O grupo é bastante diverso: há mais de 200 CNAEs (código do IBGE para a classificação da atividade econômica de uma empresa).

Regulamentação

Do ponto de vista regulatório, a conta.MOBI funciona como um facilitador, que agrega tecnologia para oferecer serviços dentro de um arranjo de pagamento. O dinheiro dos usuários não fica com a conta.MOBI. Quem realiza o processamento para ela é a Brasil Pré-pagos, que, por sua vez, está dentro do arranjo de pagamentos da Visa. A rede de adquirência da máquina de POS, por fim, é da Stone. Na prática, a conta.MOBI funciona como uma aglutinadora de serviços, focando na experiência do usuário. Quem responde ao Banco Central pelas operações financeiras são os seus parceiros de negócios.

A oferta de assessoria contábil gratuita, por sua vez, nasceu de uma parceria com a Fenacon (Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis), aproveitando uma exigência da lei que não vinha sendo cumprida: os contadores devem oferecer de graça para microempreendedores auxílio na formalização de seu negócio, orientações procedimentais e ajuda na primeira declaração. Trata-se de uma contrapartida à inclusão das empresas de contabilidade no Simples Nacional. Nem todos os contadores prestam esse serviço, mas alguns já perceberam que o microempreendedor de hoje pode ser a empresa média de amanhã e se tornar uma cliente. Por isso, a conta.MOBI procura atrair as empresas contábeis para dentro da sua plataforma, para oferecerem essa assessoria contábil inicial aos microempreendedores. Cerca de 1 mil já se cadastraram. A própria plataforma faz a indicação do contador, conforme a solicitação do microempreendedor e de acordo com a localização de ambos.

A conta.MOBI ganhou o troféu do Prêmio Tela Viva Móvel deste ano na categoria Utilitários, pelo voto popular. E também levou o troféu de Case do Ano, igualmente pelo voto popular: foi o projeto mais bem votado dentre todos os 22 finalistas, de todas as sete categorias do prêmio, tendo concorrido com cases de grandes instituições financeiras, como Bradesco e Itaú.