Bots09/12/2016 às 15h06

MeekaLabs quer desenvolver chatbots que reconheçam sentimentos

Fernando Paiva

Os chatbots de hoje em dia se esforçam para entender as frases escritas pelos consumidores. Mas isso não é suficiente para garantir uma conversa fluida e natural. É preciso entender também o que a pessoa está sentindo, ou seja, se está com raiva, ou frustrada, ou feliz. Dependendo da forma como escreve a mensagem e das palavras escolhidas, é possível fazer essa leitura, basta treinar o chatbot para tal. Trata-se da chamada “computação afetiva”. A start-up gaúcha MeekaLabs, especializada em projetos de chatbots e de inteligência artificial, está pesquisando o assunto em parceria com doutores em ciências da computação da Unisinos, no Rio Grande do Sul. A meta é realizar um teste no primeiro semestre de 2017, aplicando computação afetiva ao chatbot do MeeKa (Android, iOS), app que auxilia noivas e noivos a planejarem seus casamentos.

“Estamos desenvolvendo um módulo de computação afetiva. A primeira versão vai focar em emoções básicas, como raiva, alegria, frustração”, explica Daniel Tamiosso, vice-presidente de engenharia e produtos da MeekaLabs. Dependendo do sentimento identificado, o chatbot adapta o seu tom. Eventualmente, pode transferir a conversa para um ser humano, dependendo também do sentimento identificado.

Para medir os efeitos da adoção de computação afetiva, os usuários do MeeKa serão divididos em dois grupos durante o teste. Metade seguirá atendida pelo chatbot atual e a outra metade, pela versão plugada ao módulo de computação afetiva. Hoje o Meeka tem 12 mil usuários ativos mensais (MAUs, na sigla em inglês) dos quais 2 mil conversam com o chatbot pelo menos uma vez por mês. O índice de acerto é de 80%. O Meeka utiliza a plataforma de processamento de linguagem natural da IBM, o Watson.

Paralelamente, a MeekaLabs está trabalhando em outros projetos. Um deles, que está prestes a ser lançado, será um chatbot de comércio conversacional, dentro de um app. A empresa vem construindo módulos sob demanda, de acordo com os projetos que surgem, e depois pode aplicá-los em novos chatbots. Por enquanto, seus módulos são para uso próprio, não havendo planos de abrir APIs. A empresa espera lançar seis chatbots novos de terceiros no primeiro semestre de 2017.

Além do reconhecimento dos sentimentos, Tamiosso comenta que falta aos chatbots a compreensão do contexto das conversas. “Não conheço nenhum que entenda o que conversou no passado. O máximo que se guarda é o nome”, diz. Este é, sem dúvida, mais um passo importante a ser dado pelos chatbots.