5G10/01/2018 às 21h58

Qualcomm prevê que celulares 5G chegarão em 2019

Samuel Possebon, do Teletime

A tecnologia 5G, que parecia distante, já está batendo à porta. Testes de campo começam no final de 2018, as padronizações estão saindo e agora, ao que tudo indica, os primeiros celulares com a tecnologia já estão em projeto. Mas o que muda com a chegada da nova geração de serviços móveis?

As principal mudança que será percebida com a chegada 5G está na infinidade de serviços que passam a ser possíveis dentro dos parâmetros de latência que a tecnologia oferece, ou seja, a velocidade entre a informação ir e voltar, que passa a ser inferior a 10 milissegundos na quinta geração, se aproximando do tempo de resposta de uma rede de fibra. Para Cristiano Amon, recém nomeado presidente mundial da Qualcomm, a realidade do 5G acontecerá em um novo paradigma em que tudo estará conectado e em que a redução de latência oferecida pela tecnologia é a base de todas as transformações. Durante debate na CES 2018, principal evento de tecnologia de consumo dos EUA, que acontece esta semana nos EUA, Amon lembrou que a quinta geração de serviços móveis será a primeira das várias gerações a permitir serviços críticos, por conta dos parâmetros de qualidade de serviço. "O last mile será wireless", disse Amon, comemorando o fato de que a comunidade móvel conseguiu, no final de 2017, dar o primeiro passo efetivo em direção a uma padronização da tecnologia 5G. "Com isso, estou confiante de que no começo de 2019 já vejamos os primeiros celulares de ponta com a tecnologia 5G sendo oferecidos comercialmente", disse. Ele considera que os preços dos smartphones devem cair com a próxima geração, porque será possível que boa parte do processamento de informações seja feito na rede, e não mais no handset.

A Verizon espera ter algumas praças já no final deste ano com testes de 5G. Serão cerca de cinco cidades, com tecnologia provavelmente pré-standard e ainda em soluções fixas. A empresa está em uma corrida com a rival AT&T para ver quem consegue sair primeiro. A AT&T promete vinte cidades, com tecnologia padronizada e uma solução que incorpore mobilidade. Para Hans Vestberg, ex-CEO da Ericsson e hoje CTO da Verizon, até aqui as variações de gerações móveis foram muito mais em termos de velocidade e volume de dados, "mas agora temos outros parâmetros de latência, segurança e conectividade como benefícios. Há muito mais casos de uso para a sociedade do que nas gerações anteriores". Ele lembra, entretanto, que não basta a parcela de rádio das redes 5G serem mais rápidas. As operadoras terão que fazer grandes investimentos no restante da rede, pois para garantir os níveis baixos de latência é preciso que a rede responda mais rápido aos comandos.

Outra mudança que a 5G trará é nas faixas de espectro que serão utilizadas, variando do sub-6GHz às faixas milimétricas, de 20 GHz e 30 GHz. Havia uma grande apreensão da indústria sobre a viabilidade das faixas milimétricas após os primeiros testes de campo, mas, segundo Vestberg, os resultados foram muito melhores do que os projetados. Amon, da Qualcomm, confirma esta expectativa. Para ele, essa possibilidade de uso de faixas tão díspares acrescenta uma variável a mais no desenvolvimento da quinta geração, que é o fato de que será preciso lidar com uma combinação muito maior de faixas de espectro, o que só piora se for considerado que os países acabam alocando espectro para 5G de maneiras diferentes. Mas Amon chama a atenção para o fato de que também haverá uma integração transparente entre faixas de espectro licenciadas e não licenciadas, o que deve fazer com que parte das redes 5G seja construída não necessariamente por empresas tradicionais de telecomunicações.