Artigo10/05/2017 às 15h35

IoT hoje: novas tecnologias e a adaptação das redes celulares

Luiz Cesar de Oliveira, da Viavi

A tecnologia, as OTTs (do inglês, over-the-top) e as redes sociais impulsionam uma crescente demanda dos consumidores por uma velocidade de internet mais rápida e uma maior taxa de transmissão de dados, a um preço acessível. Com isso, as operadoras passaram a adotar uma postura mais agressiva no que se refere aos investimentos no desenvolvimento de novas redes e eventuais parcerias com empresas de outros segmentos.

Com a evolução da tecnologia, a interatividade entre os usuários hoje em dia sobrecarrega as redes das operadoras, que lidam a cada segundo com uma pesada quantidade de dados transferidos. Se esse equilíbrio entre dados e infraestrutura já era um desafio para essas empresas, o cenário continua se tornando cada vez mais complexo. Agora, estamos prestes a enfrentar a inserção da IoT (internet das coisas) no cotidiano das pessoas.

Por mais que se discuta a necessidade de implementação da nova geração das redes celulares, o 5G, como parte da estratégia para massificar IoT, os fabricantes de infraestrutura móvel estão antecipando parte dessa tecnologia para as redes atuais. Em 2016 foi definido e padronizado pela 3GPP (entidade global responsável pela padronização das tecnologias móveis) uma extensão para redes de baixa potência ou LPWA (Low Power Wide Area) que habilita dispositivos IoT a se conectarem diretamente a redes celulares 3G e 4G. As três variações de tecnologia LPWA padronizadas pela 3GPP são NB-IoT (narrow-band IoT), LTE Cat M1 ou LTE-M e EC-GSM (extended coverage GSM).

Esse movimento se deve ao entendimento das operadoras de que podem e devem aproveitar o investimento já feito nas redes 3G e 4G para oferecerem um novo serviço além daqueles de voz e de dados móveis. Esse seria um primeiro passo, até que os casos de negócio justifiquem a longo prazo a migração para redes de nova geração, ainda necessárias para a massificação de dispositivos IoT conectados às redes celulares e sobretudo aqueles com requerimentos muito rígidos de tempo de resposta, disponibilidade e largura de banda.

A tecnologia disponível hoje permite o diálogo de milhares de dispositivos IoT conectados em uma única célula (rede celular) porém com largura de banda mais estreita. O NB-IoT, por exemplo, permite conexão de até 250 kbps (pico) e LTE-M, de 1Mbps (pico), que atenderiam a uma série de novas aplicações como os sensores usados na agricultura, medidores de consumo de eletricidade, gás e água, sensores para aplicação médica etc. No Brasil, espera-se que a implementação dessas redes comece ainda em 2017.

Além disso, outras vantagens para investir na instalação dessas tecnologias e adaptação das redes para recebê-las incluem o fato de que o mercado já está se movimentando a favor dessa tendência. Diversos operadores anunciaram investimento e disponibilidade de cobertura em suas redes para oferecerem serviços de conectividade IoT em redes e espectro licenciado. Também estamos acompanhando a expansão e crescimento desse tipo de serviço em redes com espectro não licenciado (fora das redes celulares), como a empresa francesa Sigfox.

A longo prazo, a transição para o 5G possibilitará novos casos de uso para IoT, alguns deles ainda em fase de testes, como aqueles que exigem alta confiabilidade de conexão e maior largura de banda na operação de drones, carros ou até equipamentos médicos a distância, por exemplo.

Luiz Cesar de Oliveira é vice-presidente de América Latina da Viavi