Logística10/05/2018 às 19h16

Aplicativo para caminhoneiros quer chegar a 250 mil usuários em um ano

Henrique Medeiros

Um novo aplicativo para os caminhoneiros foi lançado em São Paulo nesta quinta-feira, 10. O Pra Caminhão (Android) pretende ser um marketplace para os motoristas de veículos utilitários de todo Brasil e espera atingir 250 mil usuários ativos em até 12 meses, algo que representa 5% do universo de condutores deste segmento, segundo o Denatran.
Gratuita para download, a ferramenta permite que os motoristas ajustem o seu cotidiano direto da cabine com seu smartphone. De acordo com Wagner Costa, sócio-fundador da empresa criadora da aplicação, a ideia do Pra Caminhão surgiu há dois anos, quando os primeiros apps de frete de carga começaram a fazer sucesso entre os caminhoneiros.

“Estou no segmento de transporte há 35 anos. Fui caminhoneiro, como meu pai, e depois criei uma empresa de transporte. Mas nunca fiquei longe deles. Sempre vi o desafio, as dificuldades e limitações que eles têm nas estradas”, explicou Costa. “Quatro anos atrás vieram os primeiros apps de frete de carga. Isso fez com que os motoristas perdessem o medo da tecnologia”. Costa explicou também que a adesão aos apps de frete, em 2016, foi muito alta. “Em menos de um ano saíram do 0 a 80% os profissionais que passaram a usar esse tipo de ferramenta. Por isso, resolvemos criar algo para auxiliar o profissional do volante”, explicou, apresentando dados de uma pesquisa realizada pela própria Pra Caminhão.

O investimento aproximado do app foi de R$ 1 milhão e conta com outros três sócios, dois do mercado financeiro e um do segmento de transportes.

Funcionalidades

A aplicação é dividida tem três funções grátis: busca de frete, que reúne as cargas para transporte de outros apps; clube de benefícios, com desconto para serviços e produtos; e um guia da estrada, uma ferramenta para montar rotas através de mapas, escolher paradas em restaurantes, bancos ou serviços, com API do Google Maps.

Outra funcionalidade é o Cartão Pra Caminhão (Android), uma conta digital com cartão pré-pago e que tem app próprio que permite pagar contas e transferir dinheiro, separado do Pra Caminhão. Sem anuidade e com cashback – retorno de parte do valor da compra –, o cartão é emitido pela fintech Qui! e custa R$ 25.

O Pra Caminhão possui ainda uma loja virtual. Dentro dela, o caminhoneiro poderá comprar, inicialmente, peças e utensílios de caminhão da Genuine Web, um e-commerce de peças automotivas. Mais adiante, outras lojas vão entrar no app, como Fast Shop e Goodyear.

Intuito

De acordo com o sócio-fundador, as funções do app foram pensadas para que o caminhoneiro não precise instalar diversos apps no seu celular, uma vez que a capacidade dos handsets dos profissionais é, em geral, limitada. Além disso, o aplicativo não é apenas para o caminhoneiro, mas também para sua família. A ideia é que o app ajude o caminhoneiro a transferir dinheiro, pagar contas, comprar eletrodomésticos, além de cuidar de seu sustento.

“A proposta do aplicativo é que ele se torne bastante utilizável pelo caminhoneiro. Para que o app não morra cedo, ou seja, para que ele não seja apagado do celular em um mês, nós trabalhamos muito na funcionalidade para o dia a dia dele. Pensamos primeiro na usabilidade, tanto que a monetização depende de escala”.

Monetização e marketing

Costa explicou que a receita virá com um percentual sobre as transações do cartão (menos de 1%) e das compras feitas nas lojas online parceiras do app. “O emissor tem um percentual de menos de 1%. Eu faço uma composição (pequeno recorte) dentro desse percentual, pois não posso onerar o caminhoneiro. Nós acreditamos em uma escala (crescimento de usuários) para lucrar”.

Em relação à campanha de marketing, o executivo explica que investirá em ações com entidades de classe (sindicatos) e que contratou duas influenciadoras digitais que são caminhoneiras. Elas participaram de campanhas em vídeo que serão veiculadas nas redes sociais a partir da próxima semana.

Horizonte

Wagner Costa falou ainda sobre o futuro da empresa. O sócio-fundador respondeu sobre uso de chat, alinhamento do app com Internet das Coisas (IoT) e problemas de conectividade nas estradas. O executivo disse que não pretende criar uma função de chat, pois os caminhoneiros já utilizam bem o WhatsApp. Em relação à IoT, revelou que começou a conversar nesta quinta com um fornecedor de vale pedágio, para que os motoristas paguem as tarifas por meio do celular. O nome da empresa que deseja fazer o pagamento contacless não foi revelado.

Sobre conectividade, Costa falou com as principais operadoras de telefonia móvel para lançar planos exclusivos para caminhoneiros, mas não chegaram a um “denominador comum”. Para ele, não houve sinergia, pois as companhias não queriam reduzir os preços: “Já discutimos com três operadoras. Foi apresentado um projeto para ter conta especial ou chip (SIMcard) especial. Mas não teve sinergia. Eu defendia que tivesse um preço diferenciado, mas não consegui”.