Construção civil11/01/2018 às 09h25

Andrade Gutierrez abre programa de aceleração de start-ups

Isabel Butcher

A construtora Andrade Gutierrez abre as inscrições a partir desta quinta-feira, 11, para o projeto Vetor AG, o primeiro programa de aceleração da empresa para start-ups que apresentem soluções ligadas ao setor de construção civil. A iniciativa conta com a parceria da Next Consulting e pretende desenvolver e testar em campo tecnologias para reduzir custos, mão de obra e a duração dos projetos. Serão selecionadas até oito start-ups para participar da residência, que acontecerá em São Paulo, e os aceitos receberão mentoria de especialistas de engenharia e infraestrutura e assinarão um contrato de parceria com a construtora para poder iniciar a execução da aplicação dos pilotos em obras selecionadas. O programa tem duração de cinco meses e está aberto a projetos que envolvam tecnologia móvel. No fim, as start-ups vão testar in loco, ou seja, em obras reais da Andrade Gutierrez, seus produtos. As inscrições vão até 16 de fevereiro.

O Vetor AG faz parte de um projeto maior da construtora, chamado All Together Innovation, cuja proposta, como o nome sugere, é inovar em conjunto. No ano passado, a iniciativa teve início com o desafio global chamado Digital Day e consistiu na seleção de cinco start-ups, dentre 237 inscritas, para desenvolver soluções inovadoras destinadas a projetos de engenharia e construção, em especial para a nova Linha de Transmissão da companhia. Agora que foram selecionadas, as cinco empresas estão em tratativas comerciais com a Andrade Gutierrez e três delas desenvolvem projetos baseados em tecnologia móvel.

“Com esses projetos, pretendemos encontrar soluções para reduzir os custos de uma obra, mas também diminuir resíduos, aumentar a segurança dos nossos colaboradores, a qualidade de nossas obras e melhorar na eficiência e em sustentabilidade”, disse Clarisse Gomes, coordenadora de inovação da Andrade Gutierrez.

Veja o que fazem as empresas selecionadas:

A NetResíduos é uma start-up de gerenciamento de resíduos de obras, cuja proposta é diminuir os custos e riscos de possíveis multas. Por meio de um aplicativo, o engenheiro consegue traduzir em números o quanto foi desperdiçado, mas o app também aponta soluções, como o melhor caminho para descartar corretamente esse material, seja em forma de reaproveitamento ou em descarte consciente.

Já a Pluvi.On usa sensores que coletam dados meteorológicos. Por meio de um aplicativo, é possível gerar análises e alertas em tempo real com informações climáticas instantâneas de previsão meteorológica local, pluviometria com precipitação acumulada e intensidade da chuva, direção e força do vento, além de ser possível fazer o monitoramento de descargas atmosféricas e aproximação de tempestades num raio de dois quilômetros. Com essa tecnologia, a construtora pretende ter uma maior previsibilidade nas programações de atividades no projeto, além de ser possível a retroalimentação dos modelos meteorológicos para melhor planejamento da obra.

Outra que também usa dispositivos móveis é a IPSUM, uma plataforma web e mobile (funciona tanto num smartphone como em tablets) para gerenciamento de projetos de construção baseada em metodologias Lean-BIM. A start-up promoverá a integração das informações do projeto, a digitalização de formulários preenchidos a mão e, com isso, a empresa deverá ganhar maior produtividade e assertividade nos dados.

As outras duas são a Veerum e a Levitartech. A primeira é uma empresa canadenses que utiliza sistemas robóticos, sensores e inteligência artificial para digitalizar a realidade física e correlacionar com o plano de execução do projeto. Questões como desalinhamentos e não conformidades são possíveis de serem identificados ainda no ambiente virtual e resolvidos antes da execução da obra. A proposta é que, com a implementação da tecnologia, seja possível otimizar o projeto, gerando impacto na quantidade, na produtividade e nos riscos relacionados à metodologia adotada. A start-up usa Inteligência Artificial e, no ponto em que estão do projeto, ainda não é possível saber se utilizarão dispositivos móveis.

Já a Levitartech usa drones e um software de controle de passagem para lançar cabos guia, usados para içar outros cabos, levando-os de uma torre à outra. Nos veículos aéreos não tripulados, sensores de alta precisão ajudam na inspeção. A ideia é que a inovação promova maior produtividade; redução dos riscos operacionais, ao eliminar a necessidade de montadores subindo nas torres intermediárias; e minimização do impacto ambiental.

Setor estagnado

A medida para estimular projetos inovadores tem como meta fugir da estagnação que persiste em acompanhar o setor há cerca de 50 anos. Segundo o relatório da empresa de consultoria McKinsey “Reinventando a construção através de uma revolução de produtividade”, a indústria da construção emprega cerca de 7% da população mundial em idade para trabalhar e é um dos maiores setores da economia mundial, com US$ 10 trilhões gastos em bens e serviços relacionados ao setor a cada ano. Ainda de acordo com os dados da Mckinsey, grandes projetos de capital levam 20% a mais de tempo para serem finalizados e ultrapassam em 80% do orçamento inicial. Além disso, menos de 1% das empresas se preocupa com pesquisa e desenvolvimento.