Artigo11/10/2017 às 07h13

Marketplaces móveis: conveniência e segurança são fundamentais para explorar mercados emergentes

Paulo Curio, da Movile

A opção de pagar por um produto ou serviço usando o celular tem suas origens em Helsinki, no ano de 1997, quando uma lata de Coca-Cola foi comprada por meio de uma mensagem de texto. Seis anos depois desta data, 95 milhões de usuários de celulares fizeram ao menos uma compra com seus dispositivos. Não é novidade que os avanços em smartphones aceleraram o uso dos telefones para compras e pedidos, o que levou, inclusive, ao lançamento do Apple Pay e opções de pagamento para usuários do sistema Android. Agora, cerca de 448 milhões de pessoas usam seus celulares para pagar compras ao redor do mundo.

Para a maioria das pessoas, compras e pagamentos móveis já são considerados mais ágeis e mais convenientes do que as aquisições feitas de forma física. Grande parte dos usuários está com seus celulares a todo momento e tal facilidade certamente incentiva a compra com "um clique”, além de oferecer o benefício adicional de não precisar levar consigo um cartão de crédito ou mesmo dinheiro. Os mercados móveis mais eficazes permitem pedir e comprar uma variedade de bens e serviços. Assim como os consumidores preferem a facilidade e a seleção de sites como a Amazon, o hábito de comprar cada produto em um aplicativo de uma empresa diferente está desaparecendo rapidamente.

Os marketplaces, como denominamos as plataformas que reúnem diversos serviços em um mesmo local, também têm muito potencial para vendedores e companhias. Por exemplo: eles oferecem a possibilidade de promoções cruzadas entre diferentes serviços dentro do mesmo ambiente, além de aumentarem as oportunidades para coletar e analisar dados do perfil dos usuários. Assim, o serviço beneficia tanto os clientes quanto as empresas, já que permite uma experiência completa em um único local, ao mesmo tempo em que reduz os custos de aquisição de usuários e aumenta o tráfego. Também permite a entrega de pushes segmentados, o que significa que as empresas podem identificar e segmentar com precisão os clientes que mais desejam alcançar, e esses clientes só receberão informações pertinentes a seus interesses.

Enquanto os marketplaces móveis e, consequentemente, as opções de pagamento explodiram, e a adoção de usuários está crescendo exponencialmente, observo algumas diferenças a serem apontadas em diferentes regiões e mercados.  Os marketplaces móveis e as opções de pagamento explodiram, assim como a adoção de usuários, que cresce exponencialmente, mas também observo algumas diferenças a serem apontadas em diferentes regiões e mercados. Quando olhamos o que está funcionando e o que não está, temos a possibilidade de explorar essas novas áreas de crescimento.

O mercado asiático

Se considerarmos o número altíssimo de pessoas que possuem telefones celulares na Ásia, talvez não seja surpreendente que tantos usuários na China, Índia e Coréia do Sul tenham adotado o pagamento móvel. A China continental lidera o caminho, contando com a maioria dos usuários de celulares que prefere comprar e pagar via marketplaces móveis em detrimento de dinheiro ou cartões de crédito. Especialistas atribuem esse movimento à lenta adoção da China aos cartões de crédito, combinada à acelerada adoção do uso de aparelhos celulares, o que "criou uma tempestade perfeita para provedores de ‘carteiras eletrônicas’, como Alipay e Wechat Pay entrarem na briga". Tais marketplaces, ou os chamados aplicativos ‘one-stop shop’, contam, atualmente, com mais de 650 milhões de usuários e, como resultado, os pagamentos do WeChat, juntamente com o Alipay, da Alibaba, dominam o mercado na região. Tal dominação ocorre, pois, não somente varejistas podem instalar seus serviços facilmente dentro do WeChat, como os usuários podem planejar férias familiares, pedir um táxi ou até comprar roupas sem ir a lugar algum. Os aplicativos do mercado chinês nos mostram que os consumidores acham muito mais fácil, conveniente e rápido ter tudo o que eles precisam em um só lugar.

Em Hong Kong, as carteiras eletrônicas, juntamente com o cartão Octopus, foram abraçadas com entusiasmo. A Coréia do Sul também está adotando cada vez mais o pagamento móvel, com menos de 20% de suas compras sendo feitas com dinheiro. Os consumidores que usam seus telefones celulares para pagar relatam a conveniência de não ter que andar com suas carteiras ou se preocupar em levar dinheiro. No entanto, alguns países asiáticos ainda estão atrasados na adoção do pagamento móvel por conta de problemas de infraestrutura (Singapura) e uma atitude conservadora decorrente de medos de dívidas (Japão).

A região da América Latina e o futuro do pagamento móvel

A adoção de um marketplace móvel que ofereça vários serviços diferentes e permita que você pague por suas compras dentro do aplicativo tem sido mais lenta na América Latina. Isso pode ser atribuído ao fato de que os consumidores ainda não tenham o hábito ou que se sintam pouco à vontade para adotar tal forma de pagamento. Ou, ainda, que eles imaginem que esses serviços ou produtos sejam mais caros. Além disso, ainda há alguma desconfiança e hesitação sobre o uso de celulares para pagar as compras online.

Na América Latina, temos usuários com celulares limitados, sem espaço suficiente em seus telefones, dificultando a possibilidade de instalar vários aplicativos. Atualmente, os consumidores estão sujeitos a uma série de aplicativos e serviços divergentes e as empresas também acabam perdendo por conta desta falta de sinergia, pois não dialogam de maneira colaborativa para mirar potenciais clientes. Acreditamos que, ao fornecer uma plataforma capaz de realizar múltiplas tarefas, não só os consumidores, mas também as companhias terão maior probabilidade de aceitar a ideia de incluírem seus produtos e serviços em um marketplace e, por consequência, adotarem as opções de pagamento móvel.

Nosso objetivo é simplificar a vida das pessoas, não complicá-las ainda mais! Nós imaginamos que este modelo seja uma ferramenta facilitadora e, por lá, os usuários podem realizar diversas tarefas, como comprar ingressos para filmes, pedir táxi, ler notícias e ouvir música. Essa integração será a chave para superar a resistência. Uma vez que mostrarmos aos consumidores a facilidade, a conveniência e a segurança deste segmento, provavelmente veremos, aqui na América Latina, a mesma taxa de adoção do pagamento móvel que já detectamos em muitas partes da Ásia.

Paulo Curio é VP da Movile e diretor da Rapiddo