Estratégia11/10/2017 às 17h47

Rakuten investe em bots e inteligência artificial

Henrique Medeiros

A Rakuten, um dos maiores conglomerados de comércio eletrônico do mundo, começa a olhar com mais carinho para o Brasil e seus comerciantes, mas ainda tem muitos desafios pela frente. Em conversa com Mobile Time, que aconteceu durante a 6ª edição do Rakuten Expo 2017, evento que reuniu comerciantes, designers e agências de mídia na última quinta-feira, 5, o CEO da companhia no Brasil, René Abe, compartilhou seus pensamentos sobre o desenvolvimento do negócio brasileiro, bots e mesmo do Viber (Android, iOS, Windows Phone), app de mensageiria comprado por US$ 900 milhões e que rivaliza com WeChat e WhatsApp.

“A Rakuten é uma empresa muito grande e que tem como alicerce a inovação. O ponto de partida é fazer com que a inovação seja contínua e não atrapalhe a jornada. Todo dia é preciso foco”, disse o executivo. “Temos um conglomerado que abrange fintech, varejo, marketing digital, programa de fidelidade, logística, venture capital (Pinterest, Lyft, Cabify, são exemplos de investimentos feitos pela Rakuten) e soluções de e-commerce”, enumerou Abe.

Sobre um caminho que muitas empresas de e-commerce estão tomando em direção à inteligência artificial, o CEO da Rakuten Brasil foi categórico: se lançar uma ferramenta do gênero para comerciantes brasileiros, tem que ser “agnóstico e onipresente”, mas a empresa ainda está preparando o terreno.

“Estamos fazendo testes em laboratório para lançar (bots) no Brasil. Temos uma parceria de troca de informações com o IBM Watson e, fora do Brasil, nossa venture (Rakuten Capital) comprou uma start-up que cria bots em três segundos, a Run Dexter”, relata o gestor.

Abe explicou que a empresa ainda não disponibilizou a ferramenta “pois, a programação neurolinguística precisa funcionar de maneira consistente. E em português é complicado, uma vez que estamos trabalhando com robôs para auxiliar no relacionamento com cliente e oferta de produtos baseados em inteligência artificial”, completa.

Apps X sites

O CEO comentou sobre uma possível migração dos sites para os aplicativos por parte de seus clientes comerciais: Abe pensa que isto ainda está longe de acontecer. Ele acredita que a experiência dos usuários no varejo por meio de apps (com exceção dos grandes marketplaces) ainda não é a ideal, pois não é a mesma do browser, e o comerciante ainda não entendeu sua importância. Abe compara a experiência móvel brasileira com a japonesa: “O comerciante japonês, mesmo o pequeno, entendeu a demanda dos aplicativos. Tanto que temos uma ferramenta que cria aplicativos em cinco minutos, a App Builder Program”, comentou Abe. “No Brasil estamos estudando se vamos trazer essa ferramenta. A maioria dos lojistas pede por um site responsivo, não por apps. Mas acredito que pode virar mainstream no e-commerce brasileiro, em breve”.

Frentes diversas

Abe lembra que a Rakuten tem em seu país natal mais de 100 milhões de usuários, sendo que muito deles são clientes de sua operadora móvel virtual (MVNO), feita em parceria com NTT DoCoMo. Nela, os assinantes podem ter acesso patrocinado aos sites e apps baseados na plataforma da Rakuten. Para o Brasil, Abe explica que não há planos para um MVNO e que ofertar dados patrocinados por meio de sua plataforma vai depender do ROI.

Além disso, o executivo ressalta a relação antiga da empresa com o esporte. A Rakuten é dona dos times Rakuten Eagles (baseball japonês) e do Vissel Kobe (futebol japonês), além de sere patrocinadora de duas das maiores marcas esportivas do mundo, o Barcelona (futebol espanhol) e o Golden State Warriors (NBA). Todas essas ações e hubs comerciais abriram espaço para a empresa ser conhecida globalmente. Tanto que possui 1,3 bilhão de usuários cadastrados ao redor do mundo.

Viber

Outro ponto discutido pelo executivo foi o Viber. O aplicativo de mensageria foi comprado pela companhia japonesa por US$ 900 milhões em 2014. No momento, o app faz parte da estratégia de expansão digital da Rakuten e pode rivalizar com o WeChat, no segmento comercial (compras e transações in-app), e, posteriormente, com o WhatsApp, quando este avançar para o modelo voltado às empresas e marcas.

“O Viber é hoje um dos muitos hubs da Rakuten. Temos uma visão unificada de que o aplicativo pode ser ainda mais. Além disso, usamos ele para estreitar a relação com o nosso público. Por exemplo, o canal de comunicação oficial do FC Barcelona é o nosso aplicativo”, explicou.

Abe relatou que, em uma recente conversa com o CEO do app, Talmon Marco, foi revelado que o foco atual do Viber está na expansão de suas operações na Europa e na África, continente que vem apresentando crescimento exponencial em quantidade de usuários.

Quando perguntado sobre o que aconteceu com o aplicativo para o Brasil, Abe admite que a janela para crescimento do app apenas como mensageiria passou, uma vez que o WhatsApp ganhou muito terreno. Mas o Viber pode voltar a ter mais importância no País quando achar uma função "arrebatadora".