Negócios12/06/2018 às 18h22

Criadores do GitHub não esperavam venda da plataforma

Henrique Medeiros, de Hannover*

Os fundadores da rede para códigos-fonte GitHub disseram que não esperavam vender sua plataforma à Microsoft. Em uma palestra durante a Cebit nesta terça-feira, 12, Tom Preston-Werner frisou que jamais pensara em desfazer-se de sua criação: “Para nós, era um projeto que fizemos para crescer e, eventualmente, sair de nossos trabalhos e virar empreendedores. Nós nunca pensamos que venderíamos o GitHub um dia”.

Por sua vez, Scott Chacon, sócio de Preston-Werner, buscou tranquilizar os 28 milhões de usuários. Para ele, o perfil da Microsoft mudou bastante sob a direção do CEO Satya Nadella. Para Chacon, a Microsoft tornou-se uma empresa mais “amistosa e aberta” para os desenvolvedores, principal público do GitHub.

Além de defender a Microsoft, Chacon ressaltou que a Microsoft era parceira do GitHub há alguns anos. E a aproximação da gigante com os profissionais de desenvolvimento de software aberto ajudou a fechar o negócio, embora tenha ressaltado que nenhum dos dois fundadores participou da venda. Eles estavam fora do comando da empresa, tocando outro projeto, chamado Chatterbug.

O GitHub foi comprado no último dia 7 de junho por US$ 7,5 bilhões. Na ocasião, diversos usuários do repositório que recebe códigos e projetos abertos, fechados e colaborativos reclamaram da venda nas redes sociais.

Novo projeto

Durante a passagem pela feira de tecnologia em Hannover, Alemanha, Chacon e Preston-Werner aproveitaram a ocasião para falar dos avanços de seu novo projeto, o Chatterbug, uma plataforma online para o ensino de idiomas com professores nativos em alemão e espanhol.

Os empreendedores explicaram que estão utilizando aprendizado de máquina para melhorar o currículo e o conteúdo ensinado aos alunos, mas insistem que o núcleo de sua plataforma são as pessoas. Eles explicaram ainda que preferiram abrir a startup em Berlim, pois o custo do Vale do Silício “está muito alto”, considerando contratações e aluguel de escritório, por exemplo. Com US$ 1,8 milhão levantados com investidores da própria cidadã alemã, eles descartaram uma volta para São Francisco.

*Jornalista viajou a convite da Huawei