Banco móvel12/08/2015 às 11h08

Mais de 400 mil pessoas já solicitaram cartão de crédito do Nubank

Fernando Paiva

Em operação comercial desde abril de 2014, a start-up brasileira Nubank acumula mais de 400 mil pedidos de emissão do seu cartão de crédito, cuja gestão é feita através de aplicativos móveis (Android, iOS). A empresa não revela o número exato de cartões emitidos até o momento, mas garante que os números estão muito acima da meta original. "Nossa expectativa era atingir 1 milhão em quatro ou cinco anos, mas devemos alcançar esse número bem mais cedo", informa Cristina Junqueira, co-fundadora e vice-presidente de marketing, operações e produto do Nubank. Desde setembro a empresa vem crescendo 60% ao mês. No momento, há mais de 100 mil pessoas na fila de espera para terem o seu perfil de crédito analisado. A base está sendo construída sem ter sido gasto um centavo em propaganda.

O Nubank é um cartão de crédito Mastercard platinum internacional. Um dos seus diferenciais é não cobrar anuidade. Sua receita provém de uma participação nas transações realizadas com o cartão (descontada da tarifa paga pelos lojistas) e da cobrança de juros em caso de parcelamento ou atraso no pagamento. A taxa máxima cobrada é de 7,75% ao mês, o que está abaixo da média do mercado, que gira em torno de 13,5%. E estão sendo feitos testes com uma taxa de 2,75%, que é próxima àquela de empréstimo consignado.

Outro diferencial é a equipe interna de suporte, composta por gente com boa formação e inglês fluente. "Temos orgulho do nosso time de atendimento. Não temos nada terceirizado. Quem atende telefone também responde email, Twitter etc. É uma versão holística do cliente", explica a executiva.

A solicitação do cartão é feita através do aplicativo móvel, mediante a inserção de um código de convite, que pode ser enviado por email por um cliente atual ou obtido no site da do Nubank. Basta informar o CPF e enviar fotos de um documento de identificação, além de preencher alguns dados cadastrais. A aprovação pode levar poucos dias ou meses, dependendo do perfil de crédito da pessoa. O cartão é enviado por transportadora e desbloqueado através do app. Toda a gestão financeira e recebimento de fatura acontece por meio do smartphone.

A maior parte do público é jovem: 80% têm menos de 35 anos. Em termos de renda, a maioria está concentrada nas classes A e B. Mas há também usuários com menor renda: tudo depende da análise de crédito feita pela empresa. "Temos até um estudante que ganha R$ 1 mil e trabalha como estagiário", relata Cristina.

O banco nu

A ideia de fundar o Nubank partiu da observação de que o mercado brasileiro estava sendo mal atendido. "Percebemos que havia uma oportunidade em serviços financeiros. A experiência do cliente no Brasil é muito ruim, o serviço é muito caro e há pouca competição. Pagamos as maiores taxas do mundo e temos a pior experiência", relata a co-fundadora do Nubank. Sobre a escolha do nome, ela explica: "É o banco nu, sem agências, sem papelada, sem tarifas, sem taxas escondidas. Ou seja, transparente".

Apesar do nome, cabe ressaltar que o Nubank não é um banco efetivamente, mas um emissor de cartão de crédito. Para fins regulatórios, sob a ótica do Banco Central, o Nubank é uma instituição de pagamento. A empresa segue focada na área de cartões, avaliando agora outros serviços para a sua base, como a oferta de débito automático e milhas.

Tecnologia móvel

O Nubank tem hoje uma equipe própria com seis desenvolvedores móveis. "Não tem nada que eu faça em tecnologia que não seja mobile. 100% do meu desenvolvimento é mobile", afirma Cristina. O app do Nubank já está integrado com Apple Watch e Android Wear. A versão para iOS conta ainda com acesso via Touch ID no lugar de senha. Um desenvolvedor foi contratado recentemente para construir o app nativo para Windows 10.

Por enquanto não há planos de desenvolvimento de uma solução de pagamento móvel. Cristina justifica: "O Nubank é uma start-up. Nossos recursos são limitados, não podemos criar várias coisas ao mesmo tempo. E pagamento móvel ainda não é algo maduro. Ainda não sabemos qual tecnologia será predominante. Mas sabemos que é temporário. No futuro, não vai ter mais (cartão de) plástico. Enquanto isso, vamos observar para entender qual tecnologia será predominante."