Estratégia13/03/2018 às 17h00

Trump barra compra da Qualcomm pela Broadcom

Da Redação

Em uma ação pouco comum e protecionista, o presidente norte-americano Donald Trump barrou a proposta de compra da Qualcomm pela Broadcom. Na ordem assinada na noite da última segunda-feira, 12, Trump relatou que a compra poderia “ameaçar a segurança nacional do país” e que pode tomar ações futuras contra a transação.

O presidente dos Estados Unidos escreveu ainda que qualquer forma de compra (fusão, aquisição, tomada) direta ou indireta da Qualcomm pela companhia de Cingapura está proibida. Ele ainda desqualificou os compradores de efetuar a transação e convocou a Qualcomm para chamar a assembleia de acionistas em até dez dias após o recebimento desta notificação presidencial.

Notificados

A Qualcomm confirmou o recebimento da notificação presidencial nesta quarta-feira, 13. De acordo com a companhia, a ação de Trump proíbe que os 15 diretores da Broadcom tenham direito a voto na assembleia, que deve ocorrer até o dia 23 de março. A firma asiática também confirmou que recebeu a ordem assinada por Donald Trump, mas discorda que a compra fere a segurança nacional dos EUA.

No dia 5 de março, a Broadcom informou que a Qualcomm enviou ao governo dos EUA um pedido de revisão da compra. Esta solicitação enviada à CFIUS (conselho formado por membros do executivo), mas foi omitida da empresa de Cingapura e mesmo aos acionistas da empresa norte-americana.

Defendendo Trump

Em nota à imprensa, Steve Mnuchin, o secretário do tesouro norte-americano, saiu em defesa de Trump. Para ele, a decisão do presidente – baseada na seção 721 na Lei de Produção de Defesa de 1950 – consiste no comprometimento da atual administração em “tomar todas as ações necessárias” para proteger a segurança nacional naquele país.

Histórico

Vale lembrar que a Broadcom fez uma proposta de US$ 121 bilhões pela compra da maioria das ações da fabricante de chips. A Qualcomm rejeitou esta e outra proposta feita em 2017. Nas duas ocasiões, o comando da firma de San Diego alegou que a proposta não correspondia à sua realidade. No entanto, no ano passado, o governo dos EUA autorizou a compra da norte-americana Brocade pela Broadcom por US$ 5,5 bilhões, sem ressalvas.