Inteligência artificial13/06/2017 às 16h56

Totvs apresenta a Carol, sua plataforma de inteligência artificial para o mercado corporativo

Fernando Paiva, de São Paulo*

O desenvolvimento de plataformas próprias de inteligência artificial não é privilégio de poucas multinacionais estrangeiras, como Google, Amazon, Baidu ou IBM. A brasileira Totvs demonstrou isso nesta terça-feira,13, ao apresentar a Carol, a sua plataforma de inteligência artificial voltada para o mercado corporativo. Ela se encontra em fase de testes com aplicações em duas verticais: varejo e educação. A ideia é desenvolver com ela produtos para diversos setores e torná-la disponível para os 30 mil clientes corporativos da Totvs ao redor do mundo.

A função da Carol é coletar os dados dos clientes da Totvs, tratá-los, filtrá-los, correlacioná-los entre si, analisá-los em conjunto com dados de fontes externas, como clima, economia etc, e entregar de volta recomendações para melhorar os negócios. Ela pode funcionar tanto de forma proativa, enviando sugestões, quanto de forma reativa, a partir de requisições feitas pelo usuário por meio de texto ou voz, diretamente no smartphone do gestor. Na prática, é como uma assistente virtual, mas para o mercado B2B.

Cabe ressaltar que os dados são de propriedade dos clientes corporativos, que precisam previamente autorizar a sua coleta. Eles podem ser tratados de forma coletiva mas anônima com aqueles de outros clientes, para gerar análises setoriais.

Entre 30 e 40 empresas estão participando do teste beta com a Carol. No caso do varejo, a plataforma está integrada à solução de gestão de pontos de venda Bemacash. Todas as vendas feitas por um comerciante que usa Bemacash são enviadas para a Carol. A assistente compara com os dados de outros comerciantes do mesmo segmento e consegue informar, por exemplo, se o faturamento do cliente está acima ou abaixo da média dos seus concorrentes na mesma região. Também agrupa outros fatores para fazer uma previsão do tíquete médio do próximo mês. E até ajuda a definir o preço de um novo produto, com base em uma série de critérios e dados de mercado.

Na área de educação, uma universidade está testando a Carol para reduzir o seu índice de evasão. A assistente prevê quantos alunos possivelmente vão abandonar os estudos, indica o risco de cada um e os prováveis motivos (atraso de pagamento, frequência, distância, comportamento etc).

"Temos algoritmos e redes neurais que aprendem com o uso. A Carol não fica pronta nunca. Quanto mais for usada, mais inteligente será”, explica Vicente Goethen, diretor do Totvs Labs. “Vivemos a quarta revolução industrial, que nasce da combinação entre poder computacional e inteligência artificial”, completou.

A Totvs pretende desenvolver outras soluções da Carol, sempre de forma verticalizada, ou seja, voltada para um determinado setor da economia. O preço para a sua utilização não foi divulgado, mas será possível tanto o uso sob demanda quanto uma assinatura para utilização ilimitada.

Uma curiosidade: o nome Carol foi escolhido pelo CEO da Totvs, Laércio Cosentino, em homenagem à sua filha Maria Carolina.

Transformação digital

O desenvolvimento da Carol faz parte de um projeto de transformação digital pelo qual a Totvs passa. “O setor de software vive a transformação digital nos mesmos moldes que impôs aos outros setores”, avalia Cosentino. “Antes a gente pensava primeiro em desktop, agora é mobile first. Antes era on premise, agora é na nuvem. Antes eram versões, agora são upgrades”, compara. Além disso, a empresa está saindo de um modelo de negócios de licenciamento de software e adotando o de subscrição.

Como parte desse processo, a empresa inaugurou uma nova sede em São Paulo, que consumiu investimento de R$ 280 milhões (R$ 200 milhões no prédio, bancado por um grupo de investidores, e R$ 80 milhões em tudo o que está dentro dele, arcado pela Totvs). São 62 mil m2 de área construída, com ambientes de trabalho sem divisórias, reaproveitamento de água e uso de painéis solares. Tudo isso para que o ambiente da empresa acompanhe a sua mudança de cultura junto com a transformação digital, explica Cosentino.

*O jornalista viajou a convite da Totvs