Robótica13/06/2018 às 21h29

Robôs da Boston Dynamics terão ecossistema móvel

Henrique Medeiros, de Hannover*

A Boston Dynamics, uma das principais empresas de robótica do mundo, está prestes a lançar comercialmente seu primeiro robô, o quadrúpede SpotMini, em 2019. O CEO e fundador da empresa, Marc Raibert, explicou nesta quarta-feira, 13, que a companhia criou seus robôs com base em “uma plataforma móvel”.

O principal convidado da Cebit explicou como imagina essa plataforma: “A ideia é que desenvolvedores de apps possam fazer suas aplicações para controlar ou complementar os robôs. Nós vamos abrir nossa plataforma para que terceiros possam produzir suas soluções. Mas ainda não temos um ecossistema pronto, isso vai ser criado com o tempo”.

Na conversa com Mobile Time, Raibert disse que o SpotMini será lançado em 2019. Contudo, ele ainda não tem detalhes comerciais como preço e data de início das vendas. Apenas frisou que o “preço reduziu muito”, pois algumas peças serão feitas com fornecedores externos. Até aqui, todo o equipamento da Boston Dynamics era feito pela própria empresa.

O executivo explicou que o plano é produzir 100 peças do SpotMini até o final deste ano. E, em 2019, a companhia pretende alcançar 1 mil unidades fabricadas. O robô pesa 27 quilos, é todo elétrico, tem quatro câmeras em cada canto, quadro pernas e cabeça mecânica.

“Nossa principal ideia é criar robôs que possam ter a mesma agilidade, destreza, percepção e inteligência que animais e até mesmo seres humanos”, disse Raibert ao apresentar o SpotMini para uma plateia entusiasmada em Hannover, Alemanha. “Nós estamos olhando para o futuro com pesquisas para avançar a robótica. Ao mesmo tempo, nós investimos no presente, na criação de produtos práticos”.

Entre os usos que vê para os humanoides, o evangelista robótico acredita que, em um primeiro momento, os robôs servirão para entretenimento, segurança patronal e para atuar em respostas de emergência: “Eu estive recentemente em Fukushima – local do maremoto seguido de acidente nuclear em março de 2011 – e vi que ainda há pessoas fazendo a limpeza da usina com trajes de segurança. Eu imagino que nessas ocasiões nós podemos usar robôs no lugar”.

Outras aplicações imaginadas – e em testes –, mas para longo prazo, são logística em armazéns, entrega de produtos fracionados, cuidado com idosos e construção civil.

*Jornalista viajou a convite da Huawei