Artigos13/12/2017 às 09h23

Comportamento humano em tempos de hiperconectividade: estamos exagerando?

Pedro D'Angelo, do Opinion Box

Você se lembra qual foi a última vez que precisou ir até um caixa no banco para fazer uma transferência financeira? E há quanto tempo você não liga para pedir uma comida ou um táxi? Esses exemplos compartilham de um fator comum, que lhes dá o caráter de serem situações totalmente ultrapassadas. E os casos do banco, do delivery e do táxi são tão banais que logo entendemos: foi o smartphone que mudou a forma como realizamos essas ações.

Contratar serviços, fazer compras e lidar com as finanças são exemplos de como os dispositivos digitais estão presentes para facilitar nosso dia a dia. Indo além disso, reconhecemos também que os celulares com acesso à Internet e dezenas de apps facilitam nossa comunicação e a forma como lidamos com relacionamentos, sejam eles amorosos, familiares ou até com empresas e marcas.

Em um país como o Brasil, que já tem mais de 100 milhões de internautas, é claro que os dispositivos como smartphones teriam um grande impacto na economia, nas relações sociais, no comportamento humano, entre outras áreas. Podemos dizer que vivemos na era da hiperconectividade. E, pensando nisso, é hora de levantarmos um debate importante: o quanto essa hiperconectividade está ajudando e quando ela começa a atrapalhar em certas áreas da nossa vida?

A partir do interesse de investigar o impacto da hiperconectividade no comportamento humano, o Opinion Box resolveu ir direto ao ponto e ouvir os internautas. Quanto tempo você passa conectado? Em que momentos da sua vida o smartphone está presente? Como o celular se encaixa nas suas relações, no seu trabalho e no dia a dia de forma geral?

Para responder a essas e outras perguntas, realizamos uma pesquisa online com 2.050 internautas brasileiros, de todos os estados, faixas etárias e classes sociais. Veja alguns resultados:

Como usamos os smartphones?

No que diz respeito à intensidade de uso, passamos cada vez mais tempo conectados, sem dúvida. A pesquisa mostra que 30% dos entrevistados estiveram o tempo todo conectado nas últimas 24 horas.

E mesmo que não passemos o dia inteiro olhando para a tela do celular, 22,5% dos entrevistados afirmaram mexer no smartphone praticamente o tempo todo. Outros 40,1% assumem verificar a tela do celular várias vezes por hora. Só os 27,4% restantes desbloqueiam a tela uma vez por hora ou menos.

Uma ideia interessante na pesquisa é analisar 24 horas na vida dos entrevistados. Na hora de aplicar o questionário, essa foi uma forma de avaliar um período significativo de tempo – um dia inteiro –, mas que muitas vezes, na correria atual, pode parecer uma eternidade.

Os usuários de smartphones parecem concordar que um dia inteiro é muito tempo, pelo menos no que diz respeito à ideia de ficar sem seus celulares. Quando apresentamos a eles a opção de escolher entre ficar sem água, energia elétrica ou sem seu celular por um dia, chegamos a um número curioso. 35% disseram que preferem passar 24 horas com seus smartphones, ou seja, sem água ou luz em casa.

Também quisemos investigar mais a fundo o uso do smartphone em situações diferentes ao longo do dia. 49,8% dos entrevistados da pesquisa responderam, de cara, que checam seus celulares logo ao acordar. Quando filtramos os resultados apenas para analisar jovens de até 24 anos – os famosos millennials, ou geração Z, esse número sobe para mais de 58%.

A pesquisa explora ainda várias outras situações do dia a dia, como ir ao banheiro, andar na rua, comer sozinho e com os amigos. Em quais desses momentos você acha que as pessoas passam mais tempo conectadas?

X, Y e Z – como as gerações se comportam no mundo hiperconectado

Um recorte interessante que a pesquisa sobre hiperconectividade nos permitiu fazer foi analisar as diferenças de comportamento entre gerações.

De um lado, a geração X, entre 35 e 54 anos de idade, que presenciou mudanças significativas na sociedade há algumas décadas. Do outro, jovens de 18 a 24 anos da geração Z, conhecidos pela sua impaciência, mas também por grande interesse em impactar o mundo e deixar sua marca. E entre eles, a geração Y, na faixa de 25 a 34 anos, que oscila entre comportamentos mais parecidos com X e Z. Na hora de usar o smartphone, como essas três faixas se comportam?

Logo de cara podemos confirmar o senso comum de que os mais jovens passam mais tempos ligados no celular. A relação da geração Z com o smartphone é mais próxima – literalmente. 28% deles assumem, inclusive, que o celular dorme ao seu lado na cama. Esse número, na geração X, cai para 18%.

No entanto, o percentual de entrevistados que afirmam fazer esforço para passar menos tempo conectados não varia muito entre as gerações. Geração X (33,1%), geração Y (30,2%) e geração Z (31,7%) concordam que é preciso relaxar um pouco e tentar se desconectar. Diante disso, podemos ser otimistas e acreditar que, depois do grande boom dos smartphones, pode ser que a tendência seja um uso mais responsável. Especialmente pensando na geração Z, que já está se inserindo no mercado de trabalho e cada vez mais responsável pela sociedade. Vamos acreditar na responsabilidade dos usuários de Internet.

Sobre a pesquisa

A pesquisa sobre hiperconectividade foi realizada durante o mês de setembro de 2017 com 2.050 internautas que possuem smartphone. Para a realização da pesquisa, consideramos o smartphone um celular com tela sensível ao toque e que permite ao usuário instalar e desinstalar aplicativos livremente. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

Além dos pontos aqui apresentados, a pesquisa também quis entender a relação entre hiperconectividade e ansiedade. Descobrimos as situações que deixam as pessoas mais ansiosas por causa da Internet e os problemas enfrentados devido ao uso abusivo de dispositivos digitais nos relacionamentos ou no trabalho, por exemplo.

Para conferir todos os resultados da pesquisa sobre hiperconectividade, é só baixar gratuitamente o relatório completo aqui.

Pedro D'Angelo é especialista em pesquisa do Opinion Box