Saúde14/06/2017 às 17h53

Grupo São Francisco recupera investimento em app com redução de sinistro

Henrique Medeiros

A operadora de saúde Grupo São Francisco criou uma plataforma preventiva de saúde que conseguiu por meio de central telefônica e do aplicativo SF Bio (Android, iOS) monitorar a saúde de mais de 60 mil pacientes. Como resultado, a ferramenta, que teve R$ 3,5 milhões de investimento, reduziu a sinistralidade – custos sobre a receita de uma operadora – em R$ 5,37 para cada R$ 1 injetado no projeto desde seu lançamento em setembro de 2016.

“Isso é um resultado bem importante. Nós pegamos essa população que foi monitorada pelo app e pelo telefone e vimos uma redução: 25% menos de pronto-socorro, 32% menor o número de internações do paciente e 33% menos exames”, disse Carlos Braga, gerente médico de saúde preventiva do Grupo. “Conseguimos direcionar melhor o paciente. Ele deixa de ir ao pronto-socorro e vai nos ambulatórios. Além disso, guarda e acompanha os exames nos app”.

Embora apenas 10% (6 mil) dos pacientes usam o app, Braga é otimista e acredita que até o final do ano 15 mil clientes devem adotar o SF Bio. Portanto, contando os atendimentos por telefone, a meta até dezembro de 2017 é de 75 mil clientes atendidos, de uma base de 530 mil espalhados por São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

Além do SF Bio, o Grupo São Francisco possui outros dois aplicativos de atendimento ao cliente: SF Cliente e SF Odontologia. O app de saúde geral (Cliente) possui 20 mil downloads e o aplicativo para clientes do plano odontológico, 3,8 mil.

Como funciona

Para o paciente, basta baixar o app e se cadastrar com as informações de seu seguro. Em seguida, informa os dados de saúde, como alimentação, dores e pressão arterial. As informações são acompanhadas pela equipe de atendimento, que é composta por 28 enfermeiros, 4 médicos, 1 líder de equipe e mais o apoio da equipe técnica de TI. O gerente médico ressalta a grande quantidade de mensagens trocadas entre os pacientes e sua equipe de atendimento: 200 mil fotos e conversas de textos até agora. Os técnicos respondem informando se a aferição da pressão está correta ou se a alimentação está adequada à sua dieta.

Do outro lado, o médico preenche os campos no contato com a operadora de saúde, para o time de atendimento reforçar e acompanhar as informações médicas. Todas as informações trocadas entre o usuário, equipe de saúde, conversa telefônica e prontuário médico ficam armazenados dentro de um servidor da Amazon (AWS).

Investimento e futuro

O executivo revela que o Grupo São Francisco pretende investir R$ 60 milhões em sua infraestrutura de tecnologia, mas também na adequação para os processos de inovação. Cita como um dos exemplos de investimento um laboratório de inovação que custou R$ 1 milhão para ser erguido. Neste local, a operadora de saúde recebe start-ups e tem feito parcerias com IBM e Microsoft.

Braga informa que estão lançando uma nova versão do app de saúde preventiva neste mês. Nele, a empresa adicionará contador de passos, melhoria no contador de remédios e aperfeiçoará seu layout. No longo prazo, pretende colocar nas próximas versões do SF Bio um contador de calorias e lembretes para que se tome água regularmente.

O gestor espera aprovação da Anvisa para adicionar equipamentos de Internet das Coisas (IoT) à sua plataforma. “Hoje a gente depende do paciente para imputar os dados. Se tiver um equipamento sem o paciente digitar, isso seria muito melhor”, disse.