Bots14/11/2017 às 17h41

Todo SVA precisará ter um bot, prevê CEO da Take

Fernando Paiva

A Take é uma das principais fornecedores do mercado brasileiro de bots. Oriunda do ecossistema de serviços de valor adicionado (SVA), a empresa acredita em uma integração entre os dois mundos em um futuro próximo. "Da mesma forma que existem empresas que são apps, vão existir empresas que serão bots", prevê Roberto Oliveira, CEO, da Take, em entrevista para Mobile Time. E aposta que as operadoras entrarão nesse jogo: "Teve uma época em que todo SVA (serviço de valor adicionado) tinha que ter um app. Daqui a pouco todo SVA precisará ter um bot." Leia abaixo a entrevista com o executivo, que fala também sobre os planos de expansão da sua plataforma de desenvolvimento de bots, a BLiP.

Mobile Time - No começo do ano você projetou que o mercado de bots seria maior que o de apps. Você mantém essa expectativa?

Roberto Oliveira - Mantenho e triplico a expectativa. Mas existe uma confusão grande no mercado. Continuo defendendo o conceito de contatos inteligentes, que é algo mais amplo que chatbots. O WhatsApp não anunciou nenhum caso de chatbot ainda, apenas o conceito de conta verificada. A comunicação entre usuário e empresa, que hoje acontece via telefone ou via aplicativo ou na web, quando digital, vai migrar rapidamente para os canais de mensagens, com ou sem bot. Só que para as empresas é impossível atender sem automatização, porque o volume tende a aumentar absurdamente, porque é mais fácil mandar uma mensagem assíncrona do que pegar um telefone, ligar e gastar 10 minutos conversando.

Haverá uma migração para a interface baseada em conversa. Isso não vale apenas para empresas, mas para a Internet das coisas. Você vai conversar com o seu carro, com a sua geladeira, com o seu ar-condicionado. Hoje você transmite comandos através do painel deles. Em vez disso, vai passar a conversar com o seu carro. A quebra de paradigma é essa migração para uma interface baseada em conversa. Quando cair a ficha, a transformação vai ser muito rápida.

A Take tem uma plataforma de desenvolvimento de bots, a BLiP. Poderia compartilhar números atuais da sua operação? Por exemplo, número de bots criados nela?

Já foram criados mais de 3 mil bots com a BLiP, dos quais 200 estão ativos e trocam cerca de 200 mil mensagens com 60 mil usuários únicos diariamente.

Qual o diferencial da Take nesse mercado de bots?

Apostamos no modelo de plataforma. O que faz a diferença para um chatbot são as suas  integrações, não apenas as internas, mas as externas, com APIs variadas. Um dos desafios que a gente se propõe a resolver é a abstração da integração com os canais, porque é difícil acompanhar o ritmo das novas APIs. O Facebook anunciou recentemente, por exemplo, um monte de atualizações. A gente abstrai, encurta e reaproveita as camadas de integração. O desenvolvedor não precisa ler a documentação de todas as APIs, só precisa ler a documentação da BLiP. Estou muito animado porque temos um posicionamento diferente da maioria dos outros players, que estão focados em vender chatbots. A gente quer formar parcerias com todo mundo que vende chatbots. Queremos ser a melhor plataforma do mundo (para desenvolvimento de bots).

Quantas APIs estão integradas à BLiP atualmente?

Mais de 100. Estamos focando em fazer integração com APIs e formar mão de obra especializada em usar a nossa plataforma para construir chatbots. Temos clientes que já fazem seus contatos inteligentes sozinhos, mas com nosso suporte e consultoria, que é o modelo que eu mais gosto. Já temos 15 parceiros da BLiP, ou seja, empresas que conseguem construir seu próprio bot com a BLiP. No futuro, toda empresa vai se tornar uma empresa de software.

O que mais te deixa otimista em relação ao futuro do mercado de bots?

Há cada vez mais sinalizações de que vai acontecer essa migração rapidamente para interfaces baseadas em conversas. Isso acontecerá para engajamento, vendas e IoT. E tem um divisor de águas que é o WhatsApp, que está vindo num ritmo mais lento do que eu esperava, mas não tenho duvidas que no ano que vem ele será aberto de uma forma ou de outra. Só não sabemos as regras do jogo ainda. Estou entusiasmado com a demanda.

E o que te preocupa? Quais os desafios que ainda precisam ser vencidos?

Existe muito ruído. Participamos de algumas RFPs para as quais chamam Accenture, Take, IBM e start-ups de três pessoas, botando todo mundo no mesmo balaio. Há muita demanda oriunda de áreas de negócios, tomando iniciativas de conversar com os principais fornecedores com foco em fazer chatbots, mas estes não se integram com a estratégia da companhia, ficando desconectados do resto da empresa. O grande diferencial da BLiP é que somos uma plataforma de integração, não de chatbots. Usamos todas as APIs dos canais, e APIs variadas, de CRM, de pagamento etc, além das próprias APIs internas das empresas.

Acredita no surgimento de bots pagos para o consumidor final?

Da mesma forma que existem empresas que são apps, vão existir empresas que serão bots. Elas vão entregar um serviço, que pode ser conteúdo. Acabamos de lançar com a HSM um bot de coaching. Ainda estamos discutindo como cobrar. Provavelmente terá uma versão freemium. Mas em um primeiro momento vamos vender para empresas, que venderão para o consumidor final.

Você espera que as operadoras entrem nesse mercado oferecendo conteúdo ou serviços pagos através de bots?

Tenho certeza que as operadoras podem entrar nesse jogo especialmente se for conteúdo premium, para se diferenciar do que está na web. Teve uma época em que todo SVA (serviço de valor adicionado) tinha que ter um app. Daqui a pouco todo SVA vai precisar ter um chatbot.

Você disse que quer transformar a BLiP na melhor plataforma do mundo para desenvolvimento de chatbots. A Take vai oferecê-la no exterior?

Está nos nossos planos oferecer fora do Brasil, sim. Mas o ideal é a gente conseguir realmente se posicionar como uma plataforma para as outras pessoas fazerem os bots. Teremos muitas novidades sobre isso até o final do ano.

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Na próxima edição do Bots Experience Day, Roberto Oliveira fará uma palestra sobre métricas para medir a performance de bots. O evento acontecerá no dia 22 de novembro, no WTC, em São Paulo. Para mais informações e compra de ingressos, acesse www.botsexperience.com.br, ou escreva para eventos@mobiletime.com.br ou ligue para 11-3138-4619.