Artigo16/02/2016 às 13h11

O ainda desconhecido processo de se fazer um app

Omar Pavel, da Interactive Media Dream

Atualmente, ter um aplicativo de celular ou de tablet virou uma oportunidade de mercado. Muitos pensam que basta você ter uma ideia, levá-la para o mundo da mobilidade e, pronto, em pouco tempo você estará colhendo os frutos e os lucros. Apps de sucesso não faltam: o Waze, de trânsito, e o Whatsapp, de mensagens, são bons exemplos.

Contudo, a maioria dos clientes que deseja criar um aplicativo não conhece as etapas desse trabalho. Esse desconhecimento resulta em vários problemas, que vão desde o encarecimento do produto final até a desistência de uma boa ideia.

Antes de destacar quais são os pontos mais importantes na criação de um App, vale ressaltar que são poucos os que realmente conseguem fazer a diferença no mercado. Uma pesquisa realizada em 2014 com cerca de 10 mil desenvolvedores de aplicativos indicou que apenas 2% dos criadores ganham mais de 100 mil dólares por mês, sendo que a maioria das criações é de jogos. Sendo assim, ao se analisar o mercado, vemos que é fundamental saber o caminho das pedras na hora de se criar um app, garantindo otimização de recursos, de energia e de tempo.

Além das etapas óbvias, como a ideia, o orçamento e a execução, há muitos detalhes que devem ser pensados para a criação do aplicativo: é necessário determinar quais serão todas as telas do app e como funcionará cada uma, incluindo campos de texto, botões, imagens e outros componentes. Em outras palavras, assim como antes de construir uma casa é necessário fazer um projeto, também é necessário fazer um projeto detalhado do app. No caso de sistemas complexos, é adequado que também se faça um protótipo navegável para testar a sua usabilidade. Isso é importante porque, depois de iniciada a programação, fazer mudanças passa a ser um processo demorado e caro. É sempre melhor mudar e testar as suas ideias ainda na fase de projeto e depois programar de uma vez da melhor forma possível.

Outro ponto fundamental, no qual os clientes raramente pensam, é a produção e inserção do conteúdo. Qualquer aplicativo que trabalha informações para o usuário precisa de um banco de dados. Já tive casos, por exemplo, onde se queria criar um app que permitisse localizar lojas que vendessem materiais de construção, mas o idealizador em momento algum procurou saber onde estão esses dados ou como inseri-los no App. Quando for criar um aplicativo, o idealizador precisa pensar como fará essa atualização do banco de dados e onde buscará as informações necessárias. Frequentemente é necessário contratar uma pessoa somente para alimentar e atualizar os dados.

Falando em atualização, chegamos a outro ponto que precisa ser levado em conta e acaba sendo esquecido: a avaliação do uso. Muitos pensam que, depois de pronto, o trabalho está encerrado. Muito pelo contrário. Acompanhar o dia a dia do aplicativo é fundamental, pois com essa análise é possível saber o que melhorar, o que mudar, o que suprimir. Por exemplo, se o aplicativo tem uma funcionalidade que está sendo mais utilizada do que outra, vale mais a pena ao idealizador investir nela, melhorá-la, garantindo que seu App esteja sempre em consonância com o mercado. Às vezes, investe-se muito tempo criando funcionalidades que, depois da publicação, ninguém usa. O conselho é sempre implementar um sistema de métricas nos aplicativos (como o Google Analytics), para poder saber como seus usuários usam o App e tomar decisões baseadas em dados reais de uso.

Fazer um aplicativo para celular ou tablet não é tão simples quanto parece. Há muitas etapas e processos, que se não forem conhecidos vão atrapalhar no resultado. Uma boa ideia é apenas o primeiro passo. Os demais virão com o andamento do seu projeto, que, esperamos, seja mais fácil agora, uma vez que sabemos o que é preciso fazer. Inclusive recomenda-se buscar ajuda de especialistas, empresas que tem experiência em todas as áreas necessárias: projeto, estudo de usabilidade, estudo de mercado, design, programação, mas também análise de uso, marketing e manutenção.

Omar Pavel é presidente da Interactive Media Dream