Entrevista17/07/2017 às 15h29

Aptoide tem 3 milhões de MAUs e quase 30 milhões de downloads/mês no Brasil

Fernando Paiva

Lojas independentes de aplicativos Android são muito comuns na China, onde a Google Play não opera. Mas uma delas, a Aptoide, tem no Brasil um dos seus maiores mercados, com mais de 3 milhões de usuários únicos mensais (MAUs, na sigla em inglês) e quase 30 milhões de downloads/mês – no mundo são mais de 20 milhões de MAUs. Outros mercados importantes para a companhia são China, Índia e México.

Para incentivar o crescimento no Brasil, a empresa conta com uma equipe de tradutores, que está constantemente adaptando o conteúdo internacional para a língua portuguesa, e também tem feito campanhas de marketing com influenciadores digitais do País. Além disso, firmou recentemente parceria com o BoaCompra para ter novos meios de pagamento, como boleto bancário e cartão virtual. Seu modelo de negócios é baseado em publicidade e em vendas de apps e de itens in-app, com divisão de receita com os desenvolvedores, que ficam com 75%.

A Aptoide tem dois grandes diferenciais, que estão relacionados ao caráter aberto da sua plataforma: 1) ela pode ser acessada por qualquer pessoa, mesmo sem cadastro, através de um navegador no smartphone; 2) qualquer usuário pode criar sua própria loja de aplicativos dentro da Aptoide e subir os títulos que tem gravados em seu aparelho, o que confere à plataforma uma característica de rede social, com várias lojas dentro dela. Outros diferenciais são a presença de conteúdo adulto e a possibilidade de restaurar versões anteriores dos aplicativos. Hoje, seu catálogo é de cerca de 800 mil títulos, sem contar os repetidos (o mesmo app pode constar nas lojas de diferentes usuários). E há 260 mil lojas criadas e mantidas pelos usuários ao redor do mundo.

Por outro lado, a Aptoide enfrenta alguns obstáculos, como convencer o usuário a baixar apps de fontes desconhecidas; garantir a segurança dos títulos disponíveis em seu catálogo; e se defender das críticas de pirataria. Seu COO, Álvaro Pinto, conversou por email com Mobile Time, e respondeu a algumas dessas questões, junto com Daniel Kisluk, diretor de marketing. Veja abaixo a entrevista.

Mobile Time - Qual é a explicação para o sucesso da Aptoide no Brasil?

Álvaro Pinto - Acreditamos que o fato de não exigirmos login para download de aplicativos é um forte atrativo para nosso público no Brasil. O fato de não termos restrições geográficas para os aplicativos é outro ponto interessante para nossos usuários no país, que são jovens e conectados. Deste modo, a Aptoide tem aplicativos disponíveis aos seus usuários que não estão nas lojas convencionais. O nosso crescimento no Brasil tem sido orgânico e deve-se muito ao boca-a-boca, recomendação entre usuários, mas desde o ano passado começamos a trabalhar com influencers locais. Atualmente nós temos investido na divulgação da Aptoide através de campanhas no YouTube, em canais de diversos nichos, o que tem apresentado muito bons resultados em termos de awareness e conversão.

A necessidade de o usuário alterar a configuração do aparelho para permitir o download de fontes desconhecidas representa um obstáculo? Como enfrentá-lo?

Álvaro Pinto - Sim, consideramos um obstáculo que muitas vezes pode acabar por desencorajar potenciais usuários. Foi precisamente por causa deste tipo de barreiras que existem no Android que decidimos abrir uma queixa contra a Google junto à Comissão Europeia, em 2014. Outras empresas abriram queixa semelhante e aguardamos serenamente uma decisão. Para nós, o mais importante é que seja decidida uma igualdade de tratamento entre as diferentes lojas de aplicativos Android, sem favorecimento à detentora do sistema operacional, como acontece atualmente.

Empresas de antivírus constantemente recomendam que não se baixem apps de lojas que não as oficiais. Como a Aptoide garante a segurança dos apps disponibilizados em seu catálogo?

Álvaro Pinto - Existem várias formas através das quais garantimos a segurança dos apps disponíveis no nosso catálogo. Em primeiro lugar, temos um sistema de scan automático para filtrar aplicativos que possam prejudicar o utilizador. Para além disso, a nossa equipa de Quality Assurance trabalha continuamente na identificação manual de aplicativos inseguros. Em último lugar, nossos usuários também nos ajudam nesse processo de filtragem, sinalizando “flag” de aplicativos que não sejam adequados. De toda forma, os aplicativos disponíveis na Aptoide têm um selo de garantia, que aponta que aquele aplicativo é confiável para download.

Procurando por Aptoide na Google Play encontrei uma série de imitações com nomes e logos parecidos. Não cheguei a baixar, mas me pareceram possíveis malwares ou algum golpe. Como a empresa lida com esse problema?

Álvaro Pinto - O aplicativo da Aptoide não está presente na Google Play por impedimento da própria Google, à semelhança de muitos outros aplicativos. No entanto, o enorme sucesso da Aptoide fez com que rapidamente se criassem outros apps fake e alguns destes estão disponíveis na Google Play, o que não faz muito sentido. Procuramos alertar nossos usuários para esta situação e, junto da nossa área jurídica, tomamos as devidas medidas para evitar que esses apps se aproveitem da marca da Aptoide, já que muitos deles apenas têm publicidade no seu conteúdo, o que prejudica nossa imagem junto aos usuários.

Qual é o tamanho do catálogo da Aptoide hoje?

Álvaro Pinto - A Aptoide conta hoje com mais de 800.000 apps no catálogo. No entanto, este número está constantemente aumentando, já que são os nossos usuários, espalhados por todo o mundo, que fazem upload do conteúdo disponível na Aptoide, o que faz de nós a maior rede social de aplicativos do Mundo.

Qualquer pessoa pode criar uma loja e subir aplicativos que têm em seu smartphone para outros baixarem. Isso não gera um problema com os verdadeiros criadores desses apps? Como a Aptoide lida com a questão dos direitos sobre os aplicativos publicados?

Daniel Kisluk - Sim, qualquer pessoa pode criar uma loja e subir aplicativos. Se um criador de um app preferir não ter o seu aplicativo na Aptoide e submeter uma reclamação, nós seguimos a legislatura aplicável (DMCA - Digital Millennium Copyright Act) e removemos o aplicativo imediatamente da nossa plataforma. No entanto, grande parte dos criadores vê benefícios em ter seus aplicativos na Aptoide – não só porque isso aumenta a distribuição, mas também porque as receitas geradas no aplicativo continuam a seguir diretamente para o seu criador.  

Encontrei de graça na Aptoide o Minecraft, que na Google Play é vendido. Isso não poderia ser considerado pirataria? Como a Aptoide trata essa questão?

Daniel Kisluk - A Aptoide, tal como o YouTube, é uma plataforma de conteúdo gerado por utilizadores. Nós trabalhamos de acordo com DMCA (Digital Millennium Copyright Act), que dita que qualquer conteúdo sobre o qual tenha sido apresentada uma reclamação  terá de ser removido dentro de um período legal. A nossa equipe de Quality Assurance trabalha continuamente para remover de imediato qualquer aplicativo sobre o qual tenha sido apresentada uma reclamação.

Vi que há apps patrocinados, ou seja, que têm destaque dentro da loja. A publicidade é uma receita importante para a Aptoide? Neste caso, somente desenvolvedores certificados podem fazer publicidade ou qualquer usuário poderia fazê-lo também, mesmo com apps de terceiros?

Daniel Kisluk - Sim, a publicidade dentro da loja é uma das principais fontes de receita da Aptoide. Qualquer app pode ser promovida na Aptoide. No entanto, apenas os desenvolvedores das apps podem fazer publicidade das suas apps.

Pretendem abrir um escritório no Brasil? Por quê? Quando?

Álvaro Pinto - Ainda não temos planos para isso. Recentemente, criamos equipes regionais para a América Latina, com pessoas dedicadas 100% a trabalhar no nosso crescimento no mercado brasileiro, tanto em termos de usuários quanto de parceiros. Para a Aptoide o Brasil é um dos principais mercados em todo o mundo e estamos agora a criar algumas parcerias (como a Boa Compra, este ano) de forma a oferecer ao usuário uma experiência ainda melhor e obter novos canais de aquisição de usuários, através de parcerias com operadoras e OEMs.

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