Pagamentos móveis17/10/2014 às 12h17

Boku quer viabilizar a venda de bens físicos com pagamento na conta telefônica

Fernando Paiva

Há uma profusão de novos meios de pagamento móveis aproveitando as mais diversas tecnologias integradas aos aparelhos celulares, como NFC, leitor de digital, USSD, Bluetooth etc. Mas há uma maneira mais simples e universal de transformar qualquer telefone móvel em uma carteira digital: basta aproveitar os canais de comunicação existentes, como o SMS, e fazer a cobrança na conta telefônica. Essa é a proposta do chamado "carrier billing", que hoje é usado por diversos sites da Internet mundo afora como uma opção de pagamento. Um dos principais players desse mercado é a norte-americana Boku, que acaba de comprar a sua concorrente Mopay. A empresa agora começa a integrar esse modo de pagamento em vendas de serviços reais, como bilhete de ônibus, e planeja incluir mais à frente a venda de bens físicos, como latas de refrigerante em máquinas automáticas, revela o diretor de desenvolvimento de negócios da Boku na América Latina, Filipe Rosa.

A experiência de venda de bilhetes de ônibus via carrier billing está começando na Inglaterra, em parceria com a O2. O passo seguinte será oferecer o pagamento de estacionamento pela conta telefônica. A intenção é fechar novas parcerias na área de transporte público, assim como pagamento de táxis, e avançar pelo mercado de tíquetes. O passo seguinte natural será a venda de bens físicos, diz o executivo.

No Brasil essas etapas estão mais distantes, por causa dos altos impostos que incidem sobre o setor de telecomunicações e também do alto percentual cobrado pelas operadoras na divisão de receita. Enquanto na Europa as teles cobram cerca de 5% por cada transação de pagamento pela sua plataforma de billing, no Brasil esse percentual sobe para 60%, o que praticamente inviabiliza a venda de bens físicos ou mesmo de tíquetes. Por enquanto, o carrier billing por aqui deve continuar restrito à venda de bens virtuais, pois neste caso os sites e os apps podem repassar parte desse custo ao consumidor: dependendo da forma de pagamento, o usuário recebe menos ou mais créditos para utilização dentro do jogo pela mesma quantia paga. A relação costuma ser de cinco para um em favor do cartão de crédito, cujos processadores de pagamento ficam com no máximo 5%.

Para o consumidor, o carrier billing aparece como mais uma opção de pagamento no site visitado, ao lado de cartão de crédito, boleto bancário etc. Se escolhido pelo usuário, este precisa apenas informar seu número telefônico e depois responder a uma mensagem de texto confirmando a intenção de compra. A cobrança vem em sua próxima fatura telefônica ou é descontada de seus créditos pré-pagos. A solução também é usada para vendas de bens virtuais dentro de aplicativos. Neste caso, não é necessário informar o número telefônico: basta concordar com o pagamento em uma mensagem de pop-up na tela. A principal vantagem do carrier billing é ser uma opção de pagamento para a base de consumidores que não têm cartão de crédito. Também pode ser atraente para aqueles que não querem perder tempo digitando dados do seu cartão em um site ou que estão receosos em fazê-lo, por questões de segurança.

Atuação mundial

A Boku está integrada a mais de 200 operadoras em 80 países. Em muitas delas a conexão com o sistema de faturamento é direta, em outras são usados parceiros, como no caso do Brasil, onde a conexão se dá através da TIMwe. Sediada em São Francisco, o foco da empresa sempre foram sites globais e de grande porte, especialmente aqueles que vendem bens virtuais, como créditos para serem usados dentro de jogos on-line. Um dos seus clientes é a desenvolvedora de games Zynga, por exemplo. São mais de 150 empresas usando a solução da Boku para pagamento através do telefone celular. "Conseguimos fazer o clearing e a cobrança a nível global", argumenta Rosa.

A Telefônica tem uma pequena participação acionária na Boku. Segundo Rosa, isso não atrapalha as negociações com outras teles e a empresa estaria inclusive disposta a receber outras operadoras como acionistas.