5G18/10/2017 às 11h06

Flora nativa e extensão territorial são preocupações da Austrália na padronização do 5G

Fernando Paiva, de Hong Kong*

Quando um novo padrão de rede móvel está em discussão, há um grande esforço por parte dos fabricantes de infraestrutura em convencer seus pares da necessidade de adoção de especificações que venham a utilizar suas patentes, o que pode gerar significativos ganhos financeiros no futuro, com o pagamento de royalties. E no caso de operadoras regionais e governos? Quais são seus interesses no processo de padronização de uma nova tecnologia como o 5G? A operadora australiana Telstra revelou um pouco do seu papel nesse processo durante o 4G/5G Summit, evento organizado pela Qualcomm, nesta terça-feira, 17, em Hong Kong.

De acordo com o diretor de redes da Telstra, Mike Wright, a operadora tem duas preocupações principais que estão relacionadas a particularidades de seu país. A primeira é garantir que o 5G funcione adequadamente em vastas extensões territoriais, afinal, a Austrália é o sexto maior país do mundo nesse aspecto, com 7,7 milhões de Km quadrados, e tem baixa densidade populacional, com apenas 24 milhões de habitantes. A segunda preocupação é levar em conta a interferência que certas árvores nativas da Austrália possam causar sobre a propagação do sinal de 5G.

Em setembro do ano que vem a Austrália sediará um encontro internacional do 3GPP, grupo responsável pela padronização do 5G.

Alinhamento

Outro cuidado que a Telstra e o governo australiano têm é se alinhar aos maiores blocos de países no que diz respeito à alocação de espectro. Trata-se de uma estratégia para ficar sempre dentro de um grupo que tenha ganho de escala, já que a pequena população da Austrália é insuficiente para direcionar a indústria. Como exemplo, Wright citou a escolha do país em trabalhar o 5G na faixa de 3,5 GHz, quando se percebeu que este era um caminho que estava ganhando força.

*O jornalista viajou a convite da Qualcomm