Artigo19/07/2017 às 10h10

Os riscos no uso de baterias celulares e power banks

José Antônio de Souza Junior, da UL do Brasil

O crescimento do uso de baterias vem se intensificando conforme se prolifera a tecnologia para smartphones e gadgets, como os power banks. Avanços nos estudos de novas formulações químicas buscam produzir baterias cada vez menores e mais potentes, para atender as necessidades da sociedade contemporânea, em que estar sempre conectado e disponível tornou-se primordial.

As baterias de íon-lítio são o exemplo perfeito de como o aprimoramento da tecnologia possibilitou novos caminhos e mudanças no estilo de vida das grandes metrópoles. Foram necessários cerca de 30 anos de testes para que este tipo de bateria pudesse substituir, de maneira segura, as baterias de hidreto metálico de níquel e as de níquel cádmio, bem menos resistentes para armazenar energia, e que ainda tinham a desvantagem do efeito de memória, ou seja, viciavam muito facilmente.

Embora a tecnologia do íon-lítio seja excelente, um histórico recente mostra que uma falha de projeto e/ou de manufatura da bateria de íons-de lítio pode implicar em problemas ao usuário.

Por que acidentes ocorrem?

A bateria nada mais é que um dispositivo que armazena e gera energia elétrica mediante reações eletroquímicas de oxidação (perda de elétrons) e de redução (ganho de elétrons). Sua unidade básica é a célula, formada por dois eletrodos (placas positiva e negativa) separados fisicamente por material isolante elétrico. A transferência dos elétrons de uma placa para a outra, que ocorre no circuito elétrico externo, gera a corrente elétrica.

Entender esse mecanismo de transferência interna é a chave para saber porque o aquecimento excessivo da bateria ou pressão mecânica sobre sua área externa leva o isolante térmico, que separa os dois eletrodos, a se romper e gerar um curto-circuito.

Não à toa, recomenda-se não expor o celular a altas temperaturas. Isso vale para os inofensivos dias de sol em que o celular fica exposto por descuido ou falta de conhecimento. Além disso, a exposição do aparelho em ambientes úmidos, como saunas ou mesmo banheiros quando o banho é quente e gera vapor, tampouco é recomendável. É igualmente desaconselhável submetê-las a esforços mecânicos (esmagamento, impactos, mutilação, penetração). A questão não é apenas a melhor conservação de gadgets em geral, mas o risco de uma explosão que pode ser evitado. 

As baterias devem ser projetadas e construídas com materiais que resistam ao calor e à pressão física, além de contarem com circuitos de proteção para evitar a sobrecarga. Normas desenvolvidas com participação da UL nos Estados Unidos e internacionalmente definem padrões rígidos incluindo avaliações quanto ao seu comportamento elétrico, mecânico, térmico, além de testes especiais como projeção de partes e fogo. No entanto, no Brasil, apenas as baterias destinadas a telefones celulares são obrigadas a passar por testes antes de serem homologadas pela Resolução 481/2007 da Anatel. As demais, como os power banks, quando não declaradamente destinados a celulares, podem ser produzidas e comercializadas no País sem qualquer restrição, o que aumenta a necessidade desses cuidados.

José Antonio de Souza Junior é gerente de pperações da UL do Brasil