Bots20/01/2017 às 14h07

Escolas de Minas Gerais adotam chatbot para a comunicação com estudantes

Fernando Paiva

Neste novo ano letivo que se inicia em fevereiro, cerca de 11 mil estudantes de cinco escolas mineiras e da universidade Unipam, de Patos de Minas/MG, terão contato com o Ullo, um chatbot no Facebook Messenger desenvolvido para ser uma espécie de amigo virtual que vai ajudá-los com os deveres de casa e vai intermediar a comunicação com professores e com as instituições de ensino.

A ideia partiu de uma empresa que leva o mesmo nome do chatbot, a mineira Ullo, depois do sucesso que teve com a construção de um chatbot gratuito de preparação para o Enem, chamado Mr. Enem, também no Facebook Messenger. Este contabilizou em apenas um mês, às vésperas do Enem do ano passado, 10 mil usuários e mais de 150 mil questões respondidas, sem ter feito qualquer campanha de marketing.

O Mr. Enem não tem processamento de linguagem natural, mas seus criadores logo perceberam a importância de se adotar essa tecnologia, já que muita gente tentava conversar com o robô. Daí surgiu a ideia de construir o Ullo, como um produto para escolas e universidades. Para tanto, foi firmada uma parceria com a Microsoft, que fornece os módulos de computação cognitiva e processamento de linguagem natural, explica Bruno Nunes, um dos sócios-fundadores da Ullo.

O Ullo é um bichinho virtual, com 20 modelos e cores diferentes. Cada estudante matriculado nas escolas parceiras terá o seu próprio Ullo, batizado com um nome escolhido aleatoriamente. Ao se conectar pela primeira vez, o usuário é apresentado ao seu Ullo, que passa a ser o seu intermediário nas conversas pelo Messenger com a sua escola. Se por acaso o aluno trocar de colégio para outro que também usa a solução, seu Ullo continua sendo o mesmo e carregando o seu histórico de comunicação. E se ele estiver matriculado em uma escola e em um curso de inglês, por exemplo, e ambos usem o sistema, o Ullo é o mesmo nos dois casos. A verificação da identidade do estudante é feita cruzando a sua página no Facebook, seu CPF (fornecido pela escola) e seu celular, autenticado por meio do envio de um SMS.

O foco do Ullo são alunos do ensino médio, mas também pode ser usado para estudantes do ensino fundamental ou universitários, a critério de cada instituição de ensino. Através do Messenger, os professores podem enviar deveres de casa, como questões de múltipla escolha para os alunos responderem pelo comunicador instantâneo. O docente é lembrado logo depois que cada aula acaba, sendo estimulado a elaborar a atividade. Ele pode digitar o tema da aula no bot para receber sugestões de questões (o sistema tem um banco de mais de 30 mil perguntas) ou pode também preparar suas próprias questões, através de um painel na web. Antes da aula seguinte, o professor recebe um relatório informando quantos alunos daquela turma fizeram o dever e o índice de acerto de cada questão. Desta forma, pode focar sua aula nos temas das questões que tiveram menor percentual de acerto.

O Ullo foi criado para servir como uma ferramenta de engajamento. Conforme vai conhecendo melhor cada aluno, poderá personalizar a sua comunicação com ele. Através do cruzamento de dados do próprio Facebook, o Ullo poderá inferir razões pelas quais um estudante deixou de fazer o dever de casa (por exemplo: se tiver marcado de ir a um show ou festa na noite anterior à aula). Por meio da análise da expressão facial na foto de perfil, também será possível conhecer um pouco mais da personalidade de cada estudante e adequar a conversa. Há planos de integrar o Ullo a APIs de vários outros serviços utilizados pelos jovens, como o Spotify, para tornar o bate-papo ainda mais personalizado, revela Nunes. "No futuro queremos adotar o chamado ensino adaptativo, verificando as dificuldades de cada aluno em particular e sugerir questões específicas para ele", adianta o executivo.

O Ullo poderá ser usado também pelos coordenadores, diretores e outros profissionais da escola que precisem em algum momento enviar comunicados para os estudantes. Pelo modelo de negócios da Ullo, cada escola pagará uma taxa por turma que adotar a solução. O preço também varia de acordo com o tamanho da turma. A expectativa de Nunes é de ter 50 mil estudantes usando o Ullo daqui a um ano, no começo de 2018.

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