Internet das Coisas20/06/2017 às 18h16

BNDES procura projetos de IoT para financiar

Henrique Medeiros

A falta de incentivos para criação da Internet das Coisas (IoT) virou padrão entre o empresariado nacional. É comum ouvir reclamações de que o governo pouco ajuda o setor. No entanto, a chefe do departamento de TIC no BNDES, Irecê Fraga Kauss Loureiro, acredita que a história é outra.

A executiva entede que muitas empresas estão esperando pelo Plano Nacional de Internet das Coisas para começar a investir. Contudo, acredita que as firmas não precisam esperar pelo documento para apresentar seus projetos e buscar investimentos junto ao banco de desenvolvimento.

“Os recursos estão lá, mas sentimos falta de novos projetos. Mesmo com o cenário macroeconômico, não tem restrições de caixa, uma vez que há dinheiro para o BNDES investir em inovação. E para o banco, IoT é inovação”, disse Loureiro em conversa com o Mobile Time nesta terça-feira, 20. “Nós só pedimos que os projetos sejam maduros e tenham começo, meio e fim”.

A executiva ressalta que a taxa aplicada pelo BNDES é a menor do mercado (10% ao ano), sendo que a instituição entra com 80% do valor no projeto. Em média, as companhias pagam o empréstimo em até seis anos. “Em um banco privado, eles vão pagar no mínimo 20% ao ano”, afirma a especialista. Ainda assim, em sua própria visão, ela crê que os investimentos do governo ainda estão aquém do esperado, mas existem.

Yassuki Takano, diretor de cosnulting services da Logicalis, disse durante o evento IoT Summit, que as companhias que ficarem para trás vão sofrer. Uma pesquisa da fornecedora feita em 2016 indicava que 62% de executivos de TIC achavam que IoT seria relevante dentro de três a cinco anos, enquanto apenas 27% acreditavam que o momento da Internet das Coisas seria agora. "Se a gente está falando de Internet das Coisas, estamos falando de novos sensores. É preciso ter um mecanismo de parceria com o novo ecossistema. Esse esforço leva muito tempo. Se você (empresa) demorar, vai ficar no mínimo cinco anos atrás de outras no mercado. Se esperar essa comoditização, vai ficar para trás" prevê Takano.

Plano de IoT

Sobre o Plano Nacional de IoT, Loureiro afirma que o projeto está em fase de preparo pela McKinsey e pelo escritório de advocacia Pereira Neto. Eles vão selecionar de três a cinco setores para o Brasil priorizar em Internet das Coisas e seus respectivos planos de ação. Após essa seleção, as indústrias, esferas do governo e demais participantes serão convidados para discutir o plano.

“Sentimos a dificuldade de fazer escolhas. Por isso pedimos o estudo, para indicar prioridades para política pública. Nós, como instrumento de Estado, temos que pensar sobre a implantação e o engajamento de IoT no Brasil”, disse a chefe de departamento.