Artigo21/09/2016 às 06h32

Como a Internet das Coisas pode tornar o trânsito mais ecológico, seguro e econômico?

Letice Kubert , da Gemalto

Infelizmente, o aquecimento global e a poluição do ar são problemas que vão persistir por muito tempo. A temperatura global continua a subir – e se torna tão ruim que até o Papa considerou a degradação do clima um “pecado”. A principal causa de poluição do ar do mundo, que contribui significativamente para o aquecimento global é o transporte, com veículos que emitem toneladas de poluentes perigosos para a atmosfera a cada ano. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o setor de transportes responde, no Brasil, por cerca de 9% das emissões totais de CO₂. E, claro, todos nós precisamos dar passos significativos para resolver o problema.

Devemos considerar também que a poluição não é o único problema quando se trata de meios de transporte: dirigir também é muito perigoso – a cada ano, entre 20 a 50 milhões de pessoas sofrem acidentes de trânsito em todo o mundo, custando de 3% a 5% do PIB anual das principais nações. No Brasil, quase 45 mil pessoas morreram em acidentes, somente em 2015. Além disso, os preços dos combustíveis continuam a aumentar, especialmente para empresas com grandes frotas de veículos. Precisamos melhorar a eficiência, a fim de compensar essas elevações nos preços.

Então, como podemos fazer com que o transporte se torne ambientalmente mais amigável, seguro e eficiente? Há várias maneiras - mas uma que está crescendo consistentemente é o uso da telemática para o setor de machine-to-machine (M2M), uma combinação de tecnologias associadas à eletrônica, informática e telecomunicações tratada de forma que se extraiam dados valiosos para países, empresas e sociedade em geral.

A cidade de Exeter, no Reino Unido, passou a adotar a telemática para carros conectados e campanhas de incentivos (“gamification”) que estimulam o engajamento dos motoristas de maneira lúdica, melhorando sua segurança e eficiência. Os efeitos ambientais e financeiros já são visíveis.

Uma iniciativa desta cidade, chamada Exeter City Futures, vem utilizando tecnologia M2M em um programa piloto para tornar o trânsito mais eficiente. Cem cidadãos usaram o dispositivo de telemática conectado à unidade de controle do motor de seus carros durante oito semanas para monitorar continuamente seu desempenho, identificando em tempo real o estágio em que energia e eficiência podiam ser otimizadas. O dispositivo fornece informações em tempo real através de um painel de instrumentos e alertas de áudio, que induzem os motoristas a tomar medidas para assegurar o melhor desempenho, eficiência e segurança dos veículos. Dentre essas medidas simples estão o não aquecimento do motor parado, evitar acelerações bruscas, usar as marchas corretamente e controlar o acelerador, evitando que o consumo de combustível e a emissão de gases aumentem.

Após o teste, que durou dois meses, melhorias significativas foram identificadas. Os motoristas gradativamente melhoraram suas habilidades na direção dos veículos e, em média, reduziram o tempo na chamada “zona vermelha” - onde a aceleração brusca e os riscos são mais elevados – em quase 75%. Além disso, a eficiência aumentou cerca de 16%, o que significa uma economia no consumo de combustível e redução das emissões nocivas de CO₂.

Em um curto espaço de tempo, os participantes constataram que um pequeno dispositivo,  relativamente simples – que usa um módulo sem fio para transmitir as informações do motor de forma segura – pode fazer uma grande diferença em relação à segurança, eficiência e benefícios ao meio ambiente. Se todo o planeta passar a ter esses mesmos cuidados, confirmaríamos que as tecnologias associadas à Internet das Coisas poderão ter um importante papel na luta para manter o aquecimento global sob controle.

Letice Kubert é diretora comercial M2M para América Latina da Gemalto