Pagamentos móveis22/07/2014 às 11h48

Bancos brasileiros testam solução de m-payment por proximidade sem teles

Fernando Paiva

Pelo menos três emissores brasileiros de cartões de crédito já estão avaliando a adoção da solução de pagamento móvel com NFC (Near Field Communications) na qual o chamado elemento seguro, que contém dados para a autenticação do consumidor, fica hospedado na nuvem e não no SIMcard, evitando a necessidade de negociação com as operadoras celulares. Essa alternativa é possível em smartphones com o sistema operacional Android Kitkat, para o qual o Google disponibiliza a ferramenta conhecida como HCE (Host Card Emulator).

Na opção de armazenamento do elemento seguro no SIMcard, as operadoras teriam participação direta no modelo de negócios, alugando o espaço no chip e obrigando os bancos a se conectarem com suas plataformas de TSM (Trusted Service Manager). O primeiro piloto comercial com essa solução no Brasil foi anunciado há poucas semanas e envolve Banco do Brasil, Oi e Visa. Para fontes do setor financeiro ouvidas por MOBILE TIME, contudo, o que vai prevalecer será a alternativa na nuvem. "O aluguel do SIMcard não faz muito sentido e nem a conexão com o TSM de operadora. É mais um custo para o banco. Comparando as dificuldades de se fechar o modelo de negócios, não tenho dúvidas que o HCE é muito mais simples de ser desenvolvido e implementado. É o caminho que vemos em outros países, como Austrália e Canadá", diz um executivo de uma das empresas envolvidas nos testes que acontecem no Brasil.

Cada banco escolherá o seu caminho, que provavelmente não será único, mas múltiplo. Nada impede que o Banco do Brasil, que hoje testa uma solução com SIMcard para assinantes da Oi, adote o HCE para os correntistas com telefones de outras operadoras. Outro banco com relação próxima a uma operadora é o Bradesco com a Claro: as empresas lançaram juntas uma solução de cartão de débito pré-pago para clientes de baixa renda, sem NFC. Fontes acreditam que o HCE será o caminho principal, havendo algumas iniciativas pontuais com o SIMcard e com cartão microSD. Este último tampouco precisa envolver as teles.

Ainda sobre a tendência de adoção do HCE, correm rumores de que o Google estaria planejando para breve o lançamento do seu serviço de carteira móvel digital, a Google Wallet, no Brasil. O serviço usará HCE. A informação foi veiculada em edição do Relatório Reservado, mas não foi confirmada ainda pelo Google. Fontes ouvidas por este noticiário consideram que faria sentido o lançamento do Google Wallet no Brasil nos próximos meses. O Google teria que conversar com os bancos emissores e estes com as bandeiras de cartão de crédito.

Desvantagens

Cabe destacar, contudo, que as transações realizadas com uma solução baseada em HCE dependem da conexão de rede do smartphone. Em locais sem cobertura ou quando a rede móvel estiver sobrecarregada, o pagamento pode não ser concluído, gerando transtornos para consumidores e lojistas. Na solução com SIMcard esse problema não aconteceria pois não há necessidade de conexão com a rede para acesso ao elemento seguro.

Outra desvantagem momentânea é o fato de o iPhone não ter NFC. Por enquanto, uma solução como o HCE se restringe a smartphones Android de última geração. Mas existe a expectativa de que o próximo modelo do smartphone da Apple será compatível com NFC.

Teles

A preferência dos bancos pelo HCE não significa a exclusão total das teles do mercado de pagamentos móveis. A aliança para a oferta de cartões de débito pré-pago continuará em vigor, pois faz sentido para o público desbancarizado. E é possível que sejam feitos acordos envolvendo também a divulgação via mobile marketing de serviços de pagamentos móveis, assim como parcerias para cartões co-branded.