Balanço financeiro23/01/2018 às 18h58

Netflix tem crescimento recorde em base e aumenta receita em 33% no último trimestre

Bruno do Amaral, da Teletime

Após recorde histórico em adições líquidas de usuários na base entre outubro e dezembro de 2017, as receitas da Netflix cresceram 32,61% no quarto trimestre do ano passado em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com balanço financeiro divulgado na segunda-feira, 22. No total, a companhia registrou US$ 3,286 bilhões nos últimos três meses de 2017. A previsão é que também haja crescimento no primeiro trimestre de 2018, subindo para US$ 3,686 bilhões (avanço de 39,8%).

As receitas obtidas com streaming são a quase totalidade da empresa atualmente: US$ 3,181 bilhões, aumento de 35,3% e projeção de US$ 3,587 bilhões para o primeiro trimestre de 2018 (aumento anual de 42,6%). De acordo com a companhia, a assinatura média de clientes de streaming cresceu 25% no comparativo anual.

O lucro operacional avançou 59,09%, totalizando US$ 245 milhões, com projeção de crescimento para US$ 362 milhões nos três primeiros meses de 2018. A margem subiu 1,3 ponto percentual, ficando em 7,5%. No começo deste ano, deverá ficar em 9,8% (em 2017, no mesmo período, era de 9,7%).

O lucro líquido da Netflix ao final do ano foi de US$ 186 milhões, um avanço de 177,61% em relação ao quarto trimestre de 2016. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBTIDA) foi de US$ 313 milhões, contra US$ 212 milhões no final de 2016 – um avanço de 47,64%.

Recorde e conteúdo

A Netflix registrou recorde histórico em adições líquidas na base, com 8,3 milhões de usuários a mais (contra 7,05 milhões no ano anterior, aumento de 18%). Segundo a empresa, o número superou as expectativas de 6,3 milhões "principalmente por conta da aquisição mais forte do que o esperado, alimentada pela nossa parcela de conteúdo original e a corrente adoção global de entretenimento da Internet", mostra o relatório. Ainda de acordo com o texto, a empresa aumentou seu valor de mercado para mais de US$ 100 bilhões. A maior parte desse crescimento foi no mercado internacional (6,36 milhões de adições líquidas, também novo recorde no segmento). Para o primeiro trimestre de 2018, a companhia espera adicionar 6,35 milhões em toda a base global, dividida em 1,45 milhão nos Estados Unidos e 4,90 milhões internacionalmente.

A over-the-top também comemora retorno dos investimentos. No ano passado, houve aumento da média das horas de streaming por usuário em 9%. Cita como grandes sucessos os seriados "13 Reasons Why" e "Stranger Things", além do filme "Bright" como "resultados de uma combinação de grande conteúdo e grande marketing".

Neutralidade

A companhia destacou parcerias com grande número de operadoras e provedores no mundo. "Essas parcerias facilitam a assinatura, o consumo e o pagamento da Netflix para os consumidores, enquanto nosso serviço permite aos parceiros fortalecer suas relações com esses assinantes", alega a OTT. Como exemplos no quarto trimestre, cita parceria com as teles Deutsche Telekom, na Alemanha; e Verizon, nos EUA.

Após celebrar parcerias, apenas faz um breve comentário sobre a proposta de mudança das regras de Internet nos Estados Unidos. "Acreditamos que uma Internet forte deveria ter regras de neutralidade de rede aplicáveis, então nós e outras empresas de Internet estamos apoiando o recurso da Internet Association contra a ação da FCC (Federal Communications Commission, a agência reguladora norte-americana)."

Panorama Mobile Time/Opinion Box

De acordo com a mais recente pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre uso de apps no Brasil, o aplicativo da Netflix está presente na primeira tela de 9% dos smartphones brasileiros. Além disso, 32% dos internautas brasileiros com smartphone declaram assinar algum serviço pago de entretenimento móvel, dos quais 64% declaram assinar Netflix.