Artigos23/05/2018 às 14h57

Está na hora de mudar a chave do mobile: sai o download, entra o engajamento

Pedro Macêdo, da In Loco

Quando o assunto é o mundo dos aplicativos, é muito fácil pensar que a principal métrica que define o sucesso de um app seja o número de downloads. O equívoco é aceitável, já que o ranking da App e da Play Store lista os aplicativos mais baixados de ambas as lojas. Apesar de ser um indicativo de sucesso, o volume de pessoas que instalou a aplicação no celular não significa que esse é o número mais importante a ser acompanhado.

Vamos lá, pense comigo: a festa mais cheia de pessoas que você foi, possivelmente, não foi a melhor festa da sua vida. Eu aposto que o momento que mais lhe proporcionou diversão foi um onde você e um grupo de amigos ou parentes estava extremamente engajado em apreciar a presença uns dos outros. Quando falamos de aplicativos não é diferente: é preciso ir além de aumentar a base de usuários, é preciso criar estratégias para engajá-los.

Como Peter Drucker já dizia, “o que pode ser medido, pode ser melhorado”. Por isso, qualquer marca ou empresa que tenha um aplicativo próprio deve acompanhar de perto a evolução da taxa de engajamento. A análise desse dado permite que os desenvolvedores e estrategistas de negócio tenham insights sobre o comportamento da base de usuários na hora de tomar decisões.

Notificações push são uma estratégia e tanto na hora de engajar a base dos aplicativos. Além de ser uma ferramenta com custo relativamente baixo, elas incentivam o engajamento. Segundo uma pesquisa da Urban Airship, os aplicativos que não enviam notificações push para os seus novos usuários em até 90 dias depois da instalação perdem 95 centavos de cada dólar investidos em aquisição. Isso representa um desperdício de 95% do valor investido para adquirir novos usuários. Um prejuízo e tanto, não?

Mas com o avanço da tecnologia, é possível ir além de calcular a taxa de abertura de notificações e o tempo de cada sessão no app iniciada a partir de um push. Também é possível entender em quais locais os usuários mais utilizam seu aplicativo. É na fila do banco? No supermercado? Em áreas residenciais?

Atualmente, já existem soluções que usam a tecnologia de localização como ferramenta para compreender os locais onde o consumidor costuma abrir o aplicativo da sua marca. Na prática, funciona assim: essa tecnologia mapeia os locais do mundo real onde os usuários costumam abrir a aplicação da marca proprietária. Com esse dado em mãos, é possível criar estratégias que vão desde aumentar o engajamento dos usuários até otimizar a rotina de vendas de uma loja física.

Recentemente, a tecnologia de localização foi utilizada por um aplicativo de táxis para analisar em quais locais os usuários mais recorriam ao app. Os dados obtidos permitiram descobrir que o aplicativo em questão estava sendo subutilizado por pessoas que estavam em aeroportos e bares, apesar de serem lugares de alta demanda do serviço. Com esse dado em mãos, o aplicativo conseguiu aumentar a quantidade de corridas enviando notificações push para os usuários no momento em que as chances da mensagem ser relevante e engajar o usuário era maior.

Outro caso de uso real foi o de um aplicativo que oferece cashback para os usuários que fazem compras em estabelecimentos parceiros. Com o objetivo de aumentar o uso do app na hora das compras, eles foram impactados com notificações push sobre a existência de produtos participantes da promoção cashback no momento em que estavam dentro dos supermercados participantes. O resultado foi um CTR de quase 20% nas notificações push que foram disparadas utilizando a estratégia.

Para qualquer aplicativo, no final do dia, o que importa é a interação do usuário. Chegou a hora de virar a chave do mobile: vamos trabalhar melhor o engajamento?

Pedro Macêdo é Head of Strategic Partnerships da In Loco