Comportamento23/06/2017 às 08h30

WhatsApp perde espaço na tela inicial do smartphone brasileiro

Fernando Paiva

Embora continue sendo o aplicativo mais popular no Brasil, presente no smartphone de mais de 95% dos internautas brasileiros, o WhatsApp vem perdendo espaço na tela inicial dos usuários nacionais. Dois anos atrás, em maio de 2015, na primeira edição da pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre uso de apps no Brasil, o WhatsApp estava presente na homescreen de 83,2% dos smartphones de internautas brasileiros, na liderança absoluta do ranking. De lá para cá, a cada nova edição da pesquisa, realizada de seis em seis meses, o aplicativo vem perdendo espaço. Agora, de acordo com o mais novo relatório, divulgado nesta semana, o WhatsApp está presente na tela inicial de 66% dos smartphones de internautas do País. É uma queda constante em cinco edições da pesquisa e que soma 17 pontos percentuais em dois anos. Nesta onda mais recente da pesquisa foram entrevistados 1.904 internautas brasileiros que possuem smartphone. A pesquisa tem grau de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

O resultado não quer dizer que o brasileiro esteja desinstalando o WhatsApp, nem mesmo que esteja utilizando menos esse mensageiro. Apenas não o expõe mais tão facilmente em sua homescreen. Outra pesquisa feita por Mobile Time e Opinion Box, mas com foco em mensageria, deixa claro que o WhatsApp é o principal serviço de comunicação instantânea no País e ameaça as operadoras não apenas por causa do seu serviço de mensagens mas também pelas chamadas de VoiP.

Apesar da queda em dois anos, o WhatsApp continua liderando o ranking dos 20 apps mais comuns na primeira tela do brasileiro. E é também o aplicativo favorito do usuário nacional: quando perguntados qual aplicativo escolheriam se só pudessem ter um instalado em seu smartphone, 51,9% dos internautas brasileiros apontam o WhatsApp.

De maneira geral, quase todos os grandes aplicativos diminuíram a sua presença na tela inicial do brasileiro nos últimos dois anos. Isso pode ser um indicativo de ganho de maturidade do usuário de smartphone, ao explorar as lojas de aplicativos, experimentar outros títulos e, consequentemente, reorganizar a sua homescreen. Vale destacar, contudo, que Facebook, Instagram e Facebook Messenger, embora tenham perdido espaço em dois anos, apresentaram uma melhora nos últimos seis meses, talvez fruto da adição de novas funcionalidades em todos eles.

Nadando contra a maré de pulverização de apps na homescreen, merece destaque o crescimento do Uber. Em 2015 ele sequer aparecia no ranking dos 20 apps mais comuns na homescreen do brasileiro. Um ano atrás, estava presente na primeira tela de 3,5% dos aparelhos. Subiu para 9,3% em dezembro passado e agora chegou a 12,3%, ocupando a quinta posição.

A tela principal, ou homescreen, é a área mais nobre de um smartphone. É onde todo desenvolvedor sonha que seu aplicativo esteja. Isso porque cada vez que o aparelho é ligado, o usuário vê primeiro os ícones que ali se encontram. Em uma comparação com o mercado imobiliário, se a tela do smartphone fosse um terreno, podemos dizer que a homescreen tem o centímetro quadrado mais valioso do aparelho.

Os dados completos da pesquisa estão presentes em um relatório que pode ser baixado de graça no site www.panoramamobiletime.com.br. O documento inclui também informações sobre o hábito dos brasileiros de compra de apps e de compra de bens virtuais dentro de apps, assim como o monitoramento dos segmentos de games móveis, serviços pagos de entretenimento móvel, serviços pagos de backup e serviços de antivírus para smartphones.