Propriedade intelectual24/02/2017 às 11h30

Waymo acusa Uber de roubar tecnologia de carro autônomo do Google

Henrique Medeiros

A Waymo, empresa da Alphabet responsável pelo projeto do carro autônomo do Google, está processando a Uber e a Otto por terem supostamente roubado informações do Google e infringido suas patentes da tecnologia para carros com piloto automático.

Em nota publicada no seu site na última quinta-feira, 23, a Waymo afirma: “Recentemente, descobrimos que a Otto e a Uber pegaram e estão usando partes importantes da tecnologia de direção autônoma da Waymo. Hoje, nós estamos entrando com um processo contra a Otto e sua controladora Uber por se apropriar indevidamente dos segredos comerciais da Waymo e por infringir nossas patentes”.

No processo apresentado junto à Corte Distrital dos EUA no Nordeste da Califórnia, a Waymo acusa seu ex-funcionário e líder da Otto, Anthony Lewandowski, de ter roubado 9,7 GB de dados confidenciais da companhia. Na operação sofisticada, o executivo teria espetado um driver externo no notebook da empresa, baixado as informações para o dispositivo e usado um programa para tentar apagar o rastro do crime.

Roubo direcionado

Ao todo, Lewandowski teria roubado 14 mil documentos com informações de design, hardware e placa de circuito da tecnologia por trás da direção autônoma, a Light Detection and Ranging (LiDAR), que funciona com emissão de raios laser para medir e analisar os objetos ao redor do veículo em três dimensões (3D).

A Waymo, quando ainda estava na divisão Google X, afirma que demorou sete anos para desenvolver a tecnologia do carro autônomo. Agora, a empresa do carro elétrico do Google acusa a Uber de ter roubado sua solução, uma vez que a Uber não conseguiu fazer seu próprio LiDAR em 18 meses de projeto com a Universidade Carnegie Mellon, até adquirir a Otto em agosto de 2016.

Além de Lewandowski, outros funcionários da Otto e da Uber que trabalharam na empresa da Alphabet também são acusados de terem roubado documentos confidenciais sobre o sistema. Algo que caracterizaria um “plano orquestrado” para roubar e replicar a ideia do LiDAR para uma empresa rival.

Ataque x Defesa

Mesmo com a Alphabet sendo parceira da Uber em muitos aspectos – inclusive como investidora de pelo menos US$ 258 milhões via Google Venture –, a Waymo afirma na postagem que não viu outra opção além de processar sua parceria para proteger seus investimentos e sua tecnologia.

Em nota enviada aos veículos internacionais, um porta-voz da Uber disse que a sua empresa leva as acusações da Waymo contra funcionários da Otto e da Uber "muito a sério" e garante que vão revisar o tema cuidadosamente.

Uber na Justiça

Este não é o único problema da Uber com assuntos jurídicos nos últimos dias. A companhia de corridas particulares compartilhadas foi acusada de encobrir acusações de assédio sexual entre uma ex-funcionária e um gerente nos EUA. O ex-secretário de Justiça do Estados Unidos, Eric Holder, foi contratado para fazer uma investigação interna do caso.

No Brasil, a empresa perdeu uma ação trabalhista em primeira instância na Justiça. A 33ª vara de Minas Gerais considerou que existe vínculo trabalhista entre um motorista e a Uber. Na época, a Uber afirmou ao MOBILE TIME que iria recorrer da decisão.

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