Artigos25/04/2018 às 13h43

Aplicativos: parece que o jogo virou, não é mesmo?

Victor Oliveira, da Cheesecake Labs

A tecnologia é uma via de mão dupla. Ao mesmo passo que transforma o mundo, também é impactada por ele. Quando os primeiros aplicativos começaram a inovar a maneira das pessoas se relacionarem com redes sociais, bancos, compras, vendas e uma infinidade de setores, eram eles que ditavam as regras. A população foi educada a compreender, quase que intuitivamente, como funcionavam os apps. Agora que essa dinâmica é entendida por crianças de dois anos e senhoras de 80 praticamente da mesma forma, o jogo virou. As pessoas se tornaram mais exigentes e impiedosas na hora de clicar em “desinstalar”. Para continuar mudando o mundo, esses programas terão que se adaptar a ele.

De acordo com o relatório anual da App Annie, ferramenta de análise de dados de aplicativos e que monitora o setor, o quarto trimestre de 2017 registrou o recorde de 27 milhões de downloads na Apple Store e na Play Store. Durante o ano inteiro foram gastos US$ 86 bilhões para baixar apps. Não há dúvidas da força e constância do setor, mas para uma área que tem a inovação no seu DNA, ser diferente e superar expectativas são regras de sobrevivência.

As pessoas estão exigindo cada vez mais dos apps e querem soluções cada vez mais completas. Os aplicativos hoje precisam fornecer mais. O WhatsApp, por exemplo, começou como um mecanismo para enviar mensagens instantâneas, mas logo que ganhou popularidade se expandiu para outras funções para não perder espaço para a concorrência. Agora é possível fazer ligações, enviar fotos, áudios e arquivos, fazer vídeo chamadas, entre outras funcionalidades.

Além de completas, o mundo exige cada vez mais que as soluções se conectem. Veja os aplicativos de fotos, por exemplo: existem diversos que oferecem filtros e ajustes específicos. Para se destacar no mercado, alguns conversam e oferecem um caminho direto para plataformas de compartilhamento, como o Facebook e o Instagram.

Outras tecnologias estão sendo adaptadas para interagir com aplicativos, obedecendo às demandas do público. Leitura de código de barras e desbloqueio via digital, por exemplo, são obrigatórios para qualquer solução de banco. Já para aplicativos voltados para empresas, funcionalidades que incluam análise de dados e geração de relatórios são importantes diferenciais para conquistar os usuários e facilitar a gestão dos negócios de forma remota.

Por mais que a tecnologia insira novas necessidades no mercado, logo que seu público se acostuma a ela, a lógica se inverte: as mudanças e adaptações passam a ser consideradas obrigatórias pelos usuários. Essa dinâmica é o combustível do ciclo da inovação, um motor que traz resultados financeiros para as empresas e satisfação e facilidade para quem está do outro lado da tela.

Victor Oliveira é CEO da Cheesecake Labs