Mercado imobiliário27/06/2018 às 09h29

Imobiliária combina VR e estrutura de startup para transformar compra de imóveis

Fernando Paiva

Uma jovem imobiliária carioca tem como objetivo revolucionar o mercado brasileiro de compra e venda de imóveis combinando tecnologia e uma estrutura de startup. Trata-se da EmCasa, que entrou em operação em novembro do ano passado. Seu principal diferencial está na produção de tours virtuais em 3D de todos os imóveis anunciados. Além disso, a empresa tem uma estrutura enxuta, operando em um espaço de coworking, e um modelo diferente de remuneração de seus corretores, o que lhe permite cobrar uma comissão de apenas 3%, bem abaixo da média do mercado imobiliário.

"A inspiração para fundar a EmCasa veio do péssimo serviço prestado pelas imobiliárias no Brasil", diz o CEO e cofundador da empresa, Gustavo Vaz. "O brasileiro compra em média um imóvel e meio ao longo da vida. A transação é estressante, pois envolve um montão de dinheiro, uma imobiliária querendo empurrar a venda e corretores mal capacitados", critica. "Além disso, há assimetria de informações: o mesmo imóvel é anunciado várias vezes com preços diferentes", acrescenta. "Queremos transformar a experiência de compra e venda de imóveis no brasil. Estamos focados nisso", conclui.

O primeiro passo para promover essa transformação consiste na adoção da tecnologia de realidade virtual para a divulgação dos imóveis. Um representante da EmCasa visita cada imóvel e produz as fotos em 360 graus que farão parte do anúncio. Em um apartamento de 100 m2 são tiradas cerca de 40 fotos. Depois, com ajuda de um software apropriado para essa finalidade, é montado um tour virtual em 3D, que pode ser visto através do aplicativo da EmCasa (Android, iOS) usando qualquer óculos de VR, como aqueles de papelão – a empresa planeja inclusive encomendar um lote desse modelo para distribuir a clientes. Anúncios dos imóveis são publicados em diversos canais, como os perfis da empresa no Instagram e no Facebook, assim como em seu site e em marketplaces de imóveis, como Viva Real.

A disponibilização do tour virtual serve como um filtro no processo de vendas. Somente pessoas realmente interessadas marcam visitas. Isso poupa o tempo de compradores, vendedores e corretores. "Tradicionalmente, o comprador primeiro vê as fotos em um site e depois realiza uma visita física. O tour virtual entra no meio disso, filtrando visitas desnecessárias. Não é mais uma visita exploratória, mas uma visita para validar", explica Vaz. "Já houve um caso conosco de um interessado fazer uma proposta antes mesmo de visitar o imóvel, só por causa do tour virtual", relata.

Por enquanto, existe apenas o app voltado para o comprador. Mas a empresa está desenvolvendo uma versão focada no vendedor, onde este poderá acompanhar uma série de dados referentes ao seu anúncio, como as quantidades de tours virtuais e de visitas físicas realizadas. A EmCasa conta com equipe própria de desenvolvedores.

Corretores

A EmCasa adota uma relação com seus corretores que é diferente da tradicional. Neste caso, Vaz aproveitou o conhecimento que construiu ao longo da vida: ele é filho de uma corretora e acompanhou de perto as dificuldades financeiras da mãe por causa da remuneração incerta da carreira. Por isso, a EmCasa paga um salário fixo para seus corretores. E em vez de comissão sobre o valor do imóvel, dá uma uma bonificação de acordo com a quantidade de negócios fechados. Cabe destacar que seus corretores se encarregam apenas de realizar visitas, sem precisar se envolver com processos administrativos e burocráticos, que ficam a cargo de funcionários da imobiliária. Por fim, com o tour virtual, são feitas menos visitas, mas elas são mais assertivas, com um índice mais alto de conversão, o que torna mais eficiente o uso do tempo dos corretores. Vaz afirma que hoje há fila corretores interessados em trabalhar na EmCasa.

Resultados e futuro

A imobiliária por enquanto opera apenas com imóveis na Zona Sul carioca. Tem 300 imóveis cadastrados e tem vendido dois ou três por mês. Até o final do ano deve chegar a um total de 30 vendidos.

A empresa pretende começar a atuar nas regiões da Tijuca e da Barra da Tijuca ainda este ano. E em 2019 promete entrar no mercado paulistano, informa Vaz.

Para o futuro, o empreendedor enxerga potencial para explorar serviços atrelados, como crédito imobiliário e seguros, por meio de parcerias.

Vale lembrar que o app da EmCasa foi um dos cinco finalistas da categoria "Vida Móvel" no Prêmio Tela Viva Móvel 2018.