Artigo27/09/2017 às 11h03

As redes inteligentes que transformam metrópoles em Cidades Inteligentes

Joeval Martins, da Rajant

Depois da tendência verde, atualmente a principal onda de tecnologia é a Internet das Coisas, ou Internet of Things (IoT), que conta com a conectividade que torna os objetos inteligentes. Para os usuários comuns, o uso de smartphones, smartwatches e smart homes para desempenhar tarefas de modo mais fácil, rápido e prático já é visto com normalidade. No entanto, quando pensamos no ambiente público, o que existe hoje ainda é limitado.

Com os programas digitais para municípios, adotados há uma década, a infraestrutura de fibras óticas como base para os projetos de Cidades Digitais foi amplamente instalada. Este é o momento de consolidação das redes de infraestrutura para que as soluções de tecnologia possam ser implementadas e permitam que os governos e, principalmente, a população passem a usufruir plenamente o potencial da conectividade. Isso significa contar com soluções que liguem o gerenciamento de tráfego ao controle do transporte público e a utilização das câmeras de segurança ao atendimento médico para acidentes, entre outros serviços, e tudo isso em tempo real.

Atualmente, a rede móvel que atende os aplicativos e soluções de tecnologia municipais é baseada em aparelhos Wi-Fi instalados nas redes comuns de 3G e 4G das operadoras. Isso significa compartilhar a banda dos usuários individuais, que já se encontra em uma situação crítica. Unido à alta demanda das soluções inteligentes, essa infraestrutura leva à ineficiência dos projetos.

As redes tradicionais, tanto aquelas com mecanismos “break before make" ou "make before break”, trabalham com transmissões únicas ligadas a rádios de infraestrutura. Mesmo em aparelhos que são capazes de identificar o próximo ponto de acesso antes da interrupção do sinal, tal conexão só poderá ser utilizada depois da interrupção da anterior. A falta de troca de dados entre os rádios móveis também limita a quantidade de pontos de acesso, o que afeta tanto sua estabilidade, em “pontos cegos” da cobertura, quanto sua escalabilidade, por depender de investimentos em infraestrutura.
Esses processos interrompem o fluxo da rede, resultando em perda de pacotes de dados, alta latência e comprometimento da função. Para um cidadão que quer acompanhar o horário do transporte público e possui um app, isso é uma inconveniência. Para conectar câmeras de segurança para apoiar o trabalho da polícia ou acelerar o atendimento a vítimas de acidentes, isso é inaceitável.

Para que a gestão urbana seja mais eficiente, será preciso dar “vida” às redes que serão utilizadas pelos municípios. Uma rede always on, com mobilidade para cobrir os pontos necessários no momento preciso. Por meio de conexões múltiplas aliadas ao uso de radios móveis para direcionar dados, as novas redes de alta redundância e disponibilidade oferecem confiabilidade e adaptabilidade para que as soluções inteligentes possam ser executadas com sucesso.

Serviços críticos de uma metrópole, como o controle e o monitoramento do sistema de tráfego de massa, que inclui ônibus, trens e metrô, precisam de uma solução de rede sem fio confiável e totalmente móvel para conectar os componentes-chave dentro do seu ecossistema, seja em movimento ou estacionários. A tecnologia “MESH” adiciona esse componente de mobilidade necessário à infraestrutura de transporte para atender às demandas das aplicações atuais e em evolução que permitirão o controle de trens e da malha viária, o monitoramento das vias em tempo real, a otimização de tráfego, vídeos embarcados para vigilância e muito mais.

As aplicações que podem se beneficiar desse tipo de rede passam por diversos setores, como reconhecimento da situação e identificação do risco para as forças de segurança, monitoramento de serviços como água, luz e esgoto para conservação de energia e recursos hídricos e prevenção de enchentes, entre outros. Os primeiros passos das cidades inteligentes foram bem-sucedidos. Mas as “living networks” permitem que as cidades inteligentes alcancem a próxima geração de serviços públicos.

Entenda o estágio atual das cidades brasileiras

No final dos anos 2000, o Brasil acompanhou o surgimento da tendência de cidades conectadas. Porto Alegre, por exemplo, possui atualmente 600 km de fibra ótica instalada, uma rede sólida. O programa Cidades Digitais, do governo federal, lançado em 2012, visava construir quase 1 mil quilômetros de redes, conectando mais de 6 mil pontos e implantando 840 pontos de acesso gratuito em locais públicos. Os municípios se digitalizaram com conexão via rádio e fibra ótica, incrementando os serviços disponíveis ao público, de forma indireta, como o Portal da Transparência, ou direta, como o programa WiFi Livre SP.

Mas o conceito de “Cidades Inteligentes“ vai além de um hotspot gratuito em uma praça local. Os governos, de todas as esferas, irão utilizar soluções inteligentes aliadas a tecnologias inovadoras para uma gestão eficiente, aprimorando não apenas o acesso à informação, mas a própria prestação de serviços públicos, como energia, mobilidade, segurança e saúde pública, otimizando-os e dando-lhes novas funcionalidades. Não se deve minimizar a importância do desenvolvimento da infraestrutura, já que é apenas por meio de uma conexão confiável que tais soluções podem existir, mas é preciso ir além para tirar máximo proveito do que se pode realizar com as redes. Com a recente integração do Cidades Inteligentes ao programa Brasil Inteligente, em 2016, o governo federal começou a atuar mais intensamente com a Internet das Coisas. O programa, agora rebatizado como Minha Cidade Inteligente, irá também promover aplicativos para o uso inteligente dos serviços públicos.

Joeval Martins é diretor de vendas para a América Latina da Rajant