Infraestrutura28/03/2017 às 17h31

Nextel não tem planos de desativar rede iDEN até 2019

Samuel Possebon, do Teletime

Segundo o presidente da Nextel, Francisco Valim, a operadora não tem planos, pelo menos até 2019, de desativar nenhuma das tecnologias com que opera atualmente. Hoje a Nextel opera com a antiga rede iDEN, com 3G e 4G. Ele fez esta afirmação a este noticiário em resposta a rumores que circulam entre colaboradores da companhia de que a rede iDEN, utilizada para serviços de rádio, seria desativada até o meio do ano em todos os mercados, exceto nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. As informações recebidas por este noticiário de fonte anônima dão conta ainda de que o processo de desligamento, previsto para acontecer até agosto, teria sido acelerado nas últimas semanas com a desativação de vários sites com a tecnologia iDEN, inclusive com a possibilidade de desmobilização completa das equipes locais fora dos dois mercados principais. Valim nega estas informações.

Segundo ele, a Nextel, desde que ele assumiu o comando da empresa, já vem em um processo de otimização gradual da rede em geral (inclusive a rede iDEN) em que os sites próprios onde não há tráfego nem clientes (e, portanto, receitas) estão sendo desligados, mas a cobertura permanece com a rede 3G por meio do acordo com a Vivo. "É um desligamento seletivo, mas que em números absolutos não chega a 5% de nosso total de sites", diz Valim. Ele explica que a maior parte dos clientes da Nextel está nos estados de São Paulo e Rio e é natural que os esforços sejam mais concentrados nestas regiões. "Nossos números financeiros são públicos e buscamos focar a atuação nos mercados mais rentáveis", diz, reiterando que a Nextel não deverá deixar de atender nenhum cliente que hoje utilize a tecnologia iDEN em nenhum local. "Estamos alongando a vida da tecnologia, que já chegou ao limite sobretudo pela falta de aparelhos", diz Valim. No final do ano passado, a Nextel tinha pouco mais de 800 mil clientes ainda na tecnologia iDEN, muito utilizada por empresas por permitir comunicação via rádio em tempo real. "Hoje temos condições de oferecer uma tecnologia equivalente, mas mais moderna".

Valim diz que a empresa não está mudando a estratégia em função dos resultados financeiros recentes e que manterá o esforço de venda nos principais mercados e a cobertura exigida pela regulamentação, mas mantendo a otimização da rede para focar a atuação com infraestrutura própria onde é mais rentável. Segundo as informações recebidas por este noticiário, os sites com iDEN que estão sendo desligados estão tendo seus equipamentos redirecionados para as redes de São Paulo e Rio de Janeiro. "Hoje, desligamos muito mais sites próprios com rede 3G e 4G do que sites iDEN, mas nada diferente do que temos como estratégia há muito tempo", diz ele.  "Eu não consigo hoje é ter em todo o Brasil uma estrutura igual de venda e atendimento. Mas antes de 2019 não vamos desligar nenhum serviço que seja rentável". Ele lembra que é mínima a base de clientes iDEN fora do Rio e São Paulo, mas que mesmo assim a cobertura será mantida enquanto houver demanda. "Quem está alarmado desconhece a proporção dos números".

Pelo site da empresa, as manchas de cobertura com a rede iDEN hoje abrangem as regiões metropolitanas de Fortaleza; Recife; e os clusters Brasília/Anápolis/Goiânia;  Uberaba/Uberlândia/Araguari; Belo Horizonte/Betim/Divinópolis; Serra/Vitória/Guarapari; Londrina/Maringá/Apucarana; Curitiba/Paranaguá/São José dos Pinhais; Joinville/Camboriu/Florianópolis; Porto Alegre/Novo Hamburgo/Caxias do Sul. Fora uma grande parte dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro