Artigo28/06/2017 às 06h59

Quanto custa um app?

Raul Amoretti, da Aioria Software House

Um projeto de desenvolvimento de aplicativo mobile pode até ser, algumas vezes, simples – mas nunca fácil. Existe uma complexidade neste processo, formada por algumas variáveis como escopo (quantas e quais funcionalidades o app terá, por exemplo), plataformas (para quais sistemas operacionais o app será disponibilizado), versões/formato (híbrido ou nativo), equipe (número de profissionais e de horas necessários para execução do app, bem como a forma de contratação dos envolvidos), entre outras.

A experiência de anos trabalhando nesta área me mostrou que, para a pergunta crucial “quanto custa um app”, a melhor resposta é: o mínimo possível. O que, nem de longe, significa que estamos necessariamente falando de algo barato. Estamos, sim, nos referindo ao conceito de MVP (Menor Produto Viável), que visa a executar o menor produto que, de fato, valide e teste o produto e a ideia. O MVP permite ajustar um projeto às funcionalidades essenciais para apresentar ao mercado algo atrativo e útil – em outras palavras, algo que os usuários queiram adquirir. Isso evita o desperdício de tempo e dinheiro, já que restringe o investimento àquilo que realmente, comprovadamente, funcionou. Ou seja, o produto tem que conter aquela “ideia genial”, entretanto não pode ser construído com uma abordagem faraônica, que levaria meses para ficar pronta e, no fim, geraria recursos excessivos, capazes de fugirem à compreensão do público-alvo. O MVP não só ajuda a validar a ideia e o projeto, como também evita o maior pesadelo de qualquer investidor: má aplicação dos recursos.

Para explicar melhor, vamos definir o que é um aplicativo. Normalmente, trata-se de uma aplicação mobile para smartphones composta por:

• Versão Android, desenvolvida em uma linguagem de programação nativa para smartphones e/ou tablets que operem com sistema Android (construído em java / IDE Android Studio).

• Versão iOS: desenvolvido em uma linguagem de programação nativa para iPhones e/ou ou iPads (construído em swift and object c. / IDE Xcode).

• Sistema de backend e banco de dados, que recebe e armazena toda a informação do aplicativo, além de armazenar e conter regras de negócio, como por exemplo, o banco de dados do Facebook (repare que você enxerga os mesmos dados independente de abrir a rede social no app, no site web ou no site mobile), e os algoritmos de feed de posts.

• Painel administrativo web, para gerenciar e inserir conteúdo, enviar mensagens via notificações aos usuários, ente outros.

Assim, para desenvolver um bom aplicativo são necessários, no mínimo, um programador Android, um programador iOS, um gerente de projetos, um designer, um desenvolvedor web, um desenvolvedor backend.

Isso é um dos principais fatores da precificação de um app. Imagine que a mão de obra de programação é, sabidamente, uma das mais caras que existem. Além disso, se você resolver contratar os profissionais individualmente (os famosos freelancers), caberá a você (o cliente) ser o gerente de projetos – e, acredite, a falta de experiência nisso pode ser o maior vazamento de recursos de um projeto. Por isso é sempre recomendável a contratação de uma empresa que disponha de todos os profissionais necessários como uma equipe para desenvolver um bom app.

Levando todos estes fatores em conta, é possível chegar a um cálculo do custo do aplicativo. Em média, podemos falar em MVP a partir de R$ 40 a R$ 60 mil, mas é claro que tais valores podem variar para cima ou para baixo a depender do projeto específico.

No mais, é acompanhar e manter atualizado e atrativo. Analisar periodicamente a experiência de uso do aplicativo, as novas demandas do usuário, inovações que podem ser feitas – ou não, muitas vezes é melhor manter o que está funcionando do que pecar pela firula só para mostrar atualização. 

Desta forma será possível medir não somente o custo do app, mas também, e principalmente, seu retorno – tanto para o fornecedor quanto para o usuário.

Raul Amoretti é sócio-diretor da Aioria Software House