Artigo28/09/2016 às 10h14

Enquanto os gigantes acordam, como ficam as fintechs?

Piero Contezini, da Asaas

O gigante Bradesco acordou para o meio digital. Segundo anuncia a imprensa, a instituição lança nos próximos meses o Next, visando, principalmente, aos jovens, ou aos chamados millenials. A notícia da inovação do maior banco privado do país causou rebuliço no meio financeiro. Muitos me perguntam: e como ficam as fintechs? Se todos os bancos seguirem o exemplo e criarem soluções totalmente digitais, essas startups vão ter chance no mercado?

A proposta do Bradesco demonstra, sem dúvidas, a preocupação das instituições financeiras tradicionais de sobreviverem em meio a tantos serviços inovadores. Pelo jeito, os bancos 100% digitais são os novos xodós desse ramo. O Next nada mais é do que uma reação aos bancos não verticalizados, que conquistam mais e mais clientes, especialmente os jovens. Entre os principais concorrentes, estão nomes de peso, como Nubank, Neon e Banco Original. Mas, se eles concorrem diretamente com essas fintechs, as outras também não serão impactadas?

Isso é o que muita gente acredita. Porém, a tendência dos grandes bancos em inovar não significa o fim das fintechs brasileiras. Afinal, esse processo é natural. As instituições que não fizerem esse movimento e não se atualizarem vão perder muita receita e penetração no mercado para os novos bancos digitais. Além disso, os bancos ainda estão voltados especificamente em atender pessoas físicas, excluindo boa parte dos empreendedores do País.

Muitas fintechs seguem o modelo de Vertical Banking e não oferecem todos os serviços e produtos financeiros de uma vez só. Empresas que se enquadram nessa área — caracterizadas pela sua especialidade, pelo profundo entendimento do produto e da sua utilização pelo cliente final — continuam tendo uma grande fatia do mercado brasileiro. Não consigo ver a curto e médio prazo, pelo menos, um grande banco atender esses modelos, pois eles nunca trabalharam verticalizados.

Nesse momento, você deve estar pensando que Vertical Banking é simplesmente mais um termo de marketing para o ramo de fintech, mas não é o caso. A principal diferença entre os dois formatos a meu ver está na atividade fim. Uma empresa pode não ter qualquer relação com operações financeiras, ou seja, não ser um banco vertical, como a ContaAzul, por exemplo, e mesmo assim ser uma fintech nata, com potencial de mercado tão grande quanto qualquer serviço financeiro.

É difícil prever como o mercado e como a população vai lidar com esse e outros players. Realmente, as fintechs vêm dominando as pautas e ganhando diversos adeptos dentro e fora do País. O Relatório Mundial sobre Bancos do Varejo, realizado pela Capgemini, empresa global de serviços de consultoria, tecnologia e terceirização, afirma que 74% dos brasileiros utilizam o serviço inovador, um número muito superior à média global (63%). O Next ainda nem começou a operação, mas já é muito aguardado no setor financeiro. Enquanto outros bancos digitais esperam com certa preocupação, as fintechs verticais buscam conquistar e manter os clientes com serviços especializados. E o futuro? Só saberemos depois.

Piero Contezini é cofundador e CEO da fintech Asaas