Artigo29/09/2017 às 18h35

Três meses depois: Moto E4 Plus

Henrique Medeiros

Comprar um celular não é nada mais do que sentimento. Como no dito popular, o santo tem que bater no primeiro olhar, na primeira pegada, ou o relacionamento entre dono e máquina vai ser complicado. Com o Moto E4 Plus não houve sinergia entre este usuário e o seu smartphone de teste. Ainda assim, ele é um aparelho com qualidades técnica bem peculiares ao consumidor brasileiro. Seu principal feito é adaptar-se à outra realidade nacional, o orçamento do cidadão.

Design e ergonomia

Embora seja bonito, com corpo metalizado - ótimo para os fãs de cores como dourado e prata – foram incontáveis vezes que tive um “mini-infarto” com ele escorregando de minhas mãos e quase caindo no chão. Sua traseira desliza demais em contato com as mãos, algo que não vi antes em outros aparelhos com carcaça metalizada, mesmo da Motorola. Além disso, é um pouco pesado e chama bastante a atenção quando se coloca no bolso da calça, por exemplo.

Tela e som

A tela de 5.5 polegadas é um ponto positivo para quem busca por um dispositivo de grande display e em uma categoria de preço acessível ao bolso do brasileiro (atualmente R$ 899 na loja oficial da Motorola). Contudo, a sua imagem é um pouco opaca para ver vídeos longos nas redes sociais ou serviços de streaming. Por outro lado, ele é uma ótima opção de leitura à noite com seu modo noturno. O som, por sua vez, é outro destaque favorável. Ele pode ser inclusive ser comparado aos smartphones premium, uma vez que possui Dolby Atmos (usada em home theaters e cinemas).

Câmera

A câmera é algo que, passa ano e entra ano, a Motorola tem dificuldade. O problema não é tanto a qualidade (baixa luminosidade, alta luminosidade, profundida, obturador), uma vez que não há tanta diferença entre o Moto E4 Plus e outros rivais do mercado como smartphones da linha J da Samsung, K da LG, Go da Asus e Pixi da Alcatel, mas a velocidade de processamento da foto e velocidade de foco. A Motorola precisa melhorar e não é de hoje.

Performance

Por ser Android Puro, a tecnologia da Motorola consegue se destacar ante outros dispositivos rivais. Ele flui bem na utilização do dia a dia, mesmo para a utilização de jogos e para assistir ou gravar vídeos. As funções do Moto Assist são importantes, mas não para o usuário novo (millennial) e sim para aquele que precisa se acostumar com as funções em um smartphone. Ainda vale destacar o leitor biométrico. Por ser frontal já ajuda bastante o usuário e devo dizer: ele é rápido.

Bateria

A bateria de 5.000 mAh pode chamar a atenção no marketing do produto, mas não no dia a dia. O consumo de energia do smartphone no cotidiano – levando em conta conexão 4G, Wi-Fi, ligações e uso constante de apps – é normal. Bem similar a outros modelos de handsets de 3.500 mAh, com duração de 1 dia e meio. Além disso, ele tem um grave problema: se utilizado outro carregador que não o original, mesmo com power banks (carregadores portáteis), aquece demais e demora quase 12 horas para chegar a 100%. Já quando é na tomada original, ele cumpre o que é prometido. 

Resumo da Ópera

O Moto E4 Plus tem um público específico e não sou eu ou você leitor, ávido por tecnologia de ponta e que recebe rótulos em inglês, como “millennial” ou “early adopter”. É para uma geração que está migrando do primeiro ou segundo smartphone para algo mais ágil e que não tem a mesma dinâmica de produtividade e consumo das grandes cidades. Alguém que não se importa em comprar acessórios como capinha de celular, pois o aparelho escorrega na mão, ou que não precisa mais do que 10 GB de armazenamento (6 GB de espaço vão no Android).

Assim como esse usuário que está começando no mundo mobile evoluiu, quer  Internet mais rápida e mais tempo de uso, o Moto E4 Plus também se desenvolveu. Não é mais um celular de entrada, e sim da gama média de preço com mais funções para o cotidiano do usuário no Moto Assist, como aumentar e diminuir o tamanho da tela, navegar em um toque e uma boa qualidade na tela noturna. Além de uma bateria que suporta um dia de uso e um leitor biométrico para agilizar o acesso à tela principal. Um problema é a falta de TV Digital ao handset.

Contudo, ele é um celular que cabe no orçamento do brasileiro. Muitas fabricantes estão apostando em aparelhos da gama média de preço com valores acima de R$ 1,2 mil. Em época de recuperação financeira, o Moto E4 Plus surge como uma boa opção para o consumidor de baixa e média renda.