Artigos29/11/2017 às 11h31

Crescem os adeptos dos bancos online, mas as transações são seguras?

Eduardo Bernuy Lopes, CSO da Redbelt

Mais de três milhões de contas serão abertas por meio eletrônico, sem contato presencial entre clientes e instituições bancárias até o final do ano, segundo a Febraban. Hoje, de acordo com a instituição, ao menos 940 mil clientes já fazem transações bancárias no Brasil por contas desse tipo. Mas será que esses correntistas estão seguros?

A verdade é que, ao mesmo tempo em que cresce o tráfego de clientes no universo online dos bancos, ataques de cibercriminosos e a negligência dos usuários podem tornar as transações inseguras.

Segundo a “Pesquisa de Riscos à Segurança de Instituições Financeiras”, realizada pela Kaspersky Lab e a B2B International com 841 representantes de instituições financeiras do mundo todo, 42% dos bancos preveem que a maioria de seus clientes usará os bancos on-line em até três anos. Ao mesmo tempo, os entrevistados admitem que os usuários são muito negligentes em seu comportamento na Internet. Ou seja, são adeptos à tecnologia, mas não sabem ou não estão atentos sobre como evitar riscos.

Atitudes simples como manter atualizado o antivírus do computador ou do smartphone que usa para acessar o Internet banking, atualizar o sistema operacional e do navegador de Internet instalado na máquina onde acessa o banco online, acessar somente páginas confiáveis, não clicar em links de e-mails supostamente enviados por bancos, usar senhas consideradas fortes, entre outras dicas, poderiam evitar sérios riscos nas transações, mas caem no esquecimento dos internautas.

Insvestimentos

Esse comportamento “descuidado” dos clientes, somado ao crescimento dos criminosos digitais leva as instituições financeiras a investirem cada vez mais em segurança. Segundo a mesma pesquisa, 64% dos bancos pretendem investir para melhorar sua segurança de TI, independentemente do retorno do investimento, de modo a atender às demandas crescentes das agências regulatórias do governo, da alta direção e principalmente de seus clientes. Para a Febraban, esse movimento já está acontecendo: em 2016, as instituições financeiras investiram R$ 18,6 bilhões em tecnologia no Brasil e 21,9 bilhões de transações foram feitas pelo mobile banking, com alta de 96% em relação ao ano anterior.

Para dar conta do crescente tráfego dos clientes no universo financeiro digital e também dos ataques criminosos, é essencial ter um parceiro de tecnologia com soluções avançadas de segurança. Há soluções para prevenir ataques aos aplicativos e sites, à violação de dados, plataformas de segurança na nuvem para inspecionar o tráfego criptografado em alta velocidade, protegendo smartphones, tablets, PCs e servidores com atualizações contínuas em resposta a ameaças, plataforma de inteligência de análise das informações e gerenciamento de eventos.

Case

Para ilustrar, cito o banco Neon, que nasceu como a fintech Contro.ly em 2014. O banco teve um salto de sua base de usuários de 10 mil para 280 mil em um curto espaço de tempo, com sua proposta de banco 100% digital, voltado aos jovens. O banco conseguiu reduzir os riscos em mais de 90% com a implantação de soluções e gerenciamento de incidentes. Atualmente, mais de 1,5 milhão de eventos são tratados diariamente no ambiente do Banco Neon. Todos os eventos são analisados, visando, assim, a identificação de ataques, tráfegos anômalos no ambiente e prevenção.

O banco ainda tem hoje ao seu serviço, também graças ao trabalho de consultoria de segurança cibernética, uma plataforma de Inteligência que faz a busca e a concentração de todos os dados sobre uma determinada empresa, pessoa ou palavra-chave disponibilizados na Internet. Por meio de pesquisa e correlação de dados em diversas fontes de informações como redes sociais, aplicativos, sites e a deep web, ou seja, um verdadeiro processo investigativo, a plataforma permite identificar tentativas de invasões de sistema, roubos de dados e até organizações ilícitas. Com isso, fica mais fácil realizar ações proativas, caso seja identificado um plano de ataque.

Com o case do Banco Neon, é possível compreender como a gama de soluções para a segurança cibernética é vasta, assim como também são inúmeros os perigos do ambiente online. Para bancos e clientes, o conselho é: está mais do que na hora de se atentar à segurança das transações online e os dois lados devem ter responsabilidade.

Eduardo Bernuy Lopes é CSO da Redbelt