Internet móvel30/11/2016 às 10h35

Modelo brasileiro de dados patrocinados será exportado para o resto da América Latina

Fernando Paiva

O Brasil pode virar modelo para o resto da América Latina no que diz respeito a projetos de dados patrocinados, ou cobrança reversa de dados, quando uma empresa arca com o tráfego móvel de acesso ao seu aplicativo. Já existem quatro cases comerciais em funcionamento no País (Bradesco, Netshoes, Privalia e Mercado Livre, em ordem de entrada de operação) e agora a MUV, responsável pela intermediação de três deles com as operadoras locais, quer levar essa ideia para o resto da América Latina. Para tanto, contratou a executiva Carolina Espinosa como responsável por estratégia e planejamento comercial. Ela ficará encarregada de fechar negócios de dados patrocinados na região. Vária conversas já foram iniciadas com esse objetivo, com destaque para os mercados da Argentina e do México. A expectativa é de que um primeiro projeto piloto fora do Brasil entre no ar no primeiro trimestre de 2017, diz Marcelo Castelo, sócio-fundador e CEO da MUV.

"O momento está muito bom para novos projetos. E por isso a contratação da Caroline. Ela cuidava da Dafiti na Argentina. E eu queria alguém com experiência fora do Brasil porque estamos recebendo projetos do exterior", explica o executivo. "Acreditamos que esse produto funcione bem não apenas no brasil mas em toda a América Latina. Já falei com gente na Jamaica, Chile, República Dominicana... O Brasil está no mínimo dois ou três anos à frente do resto da região", acrescenta.

Castelo acredita que, tal como no Brasil, serão bancos e varejistas que vão demandar esse tipo de solução no resto da América Latina. O mais difícil, contudo, é vencer a resistência das teles no exterior, pois algumas ainda temem o risco de canibalização, ou seja, de perderem receita com dados por causa de projetos com esse modelo.

"Fora do Brasil tem operadora querendo cobrar um valor mais caro que o cobrado do consumidor final, com medo de canibalização. Isso afasta o cliente. Mas a tabela não está escrita em pedra. É uma primeira conversa. E tem gente disposta a fazer piloto gratuito. Talvez no começo de 2017 tenhamos algum projeto piloto grátis para desmitificar internamente o medo da canibalização", relata.

A Datami é a parceira técnica da MUV para a integração com as teles quando os clientes possuem apps com páginas com IP dinâmico, o que daria muito trabalho para ter o conteúdo liberado se fosse feito pela engenharia das próprias teles. É o caso da maioria dos apps de comércio móvel, por exemplo. A Datami está negociando a sua integração com as teles em vários países da América Latina.

Brasil

No Brasil, Castelo prevê que mais três projetos de dados patrocinados serão lançados nos próximos meses. Será um de comércio móvel em dezembro e dois de bancos em janeiro.